Lucas de Aragão, da Arko Advice, avalia que abstenção e votos de Flávio Bolsonaro representam obstáculos para o segundo turno

Analista político da Arko Advice afirma que governo de Lula não avalia seus próprios erros e concentra críticas nas falhas da campanha
O analista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não avalia seus próprios erros e concentra as críticas internas nas falhas da campanha eleitoral. Segundo ele, o segundo turno das eleições se apresenta como um desafio considerável para Lula.
De acordo com Lucas de Aragão, o mercado de votos não favorece Lula neste momento. “A gente não tem candidatos que ficaram no primeiro turno e que os votos sobraram para o segundo turno com uma compatibilidade natural com o presidente Lula”, afirmou o especialista.
Ao analisar o discurso interno do PT, Lucas de Aragão observou que as justificativas para o resultado do primeiro turno raramente mencionam problemas do próprio governo. “Quando se ouvem os argumentos pelos quais o presidente Lula não conseguiu chegar mais perto do Flávio ou liderar esse primeiro turno, a gente escuta muito pouco sobre problemas do governo. O que a gente escuta é problemas da campanha”, disse o analista.
Para Lucas de Aragão, é como se o governo ignorasse que talvez tenha cometido erros, seja na proximidade com o Supremo Tribunal Federal (STF), seja em questões políticas ou econômicas. Ele também destacou que a campanha está claramente confusa, com membros se culpando mutuamente pelo desempenho abaixo do esperado no primeiro turno.
O especialista apontou que o nível de abstenção representa um fator de risco significativo para Lula. Historicamente, segundo ele, a abstenção não diminui no segundo turno — em 2022, por exemplo, ela aumentou nos estados onde Lula venceu e caiu nos estados onde o ex-presidente Jair Bolsonaro saiu vitorioso.
Ademais, milhões de eleitores possuem título de eleitor em cidades diferentes de onde residem atualmente, o que inviabiliza a mobilização para o voto. “Hoje o presidente Lula tem uma dificuldade que é reduzir a abstenção, convencer eleitores que não estão naturalmente em seu campo e ainda assim atrair votos de pessoas que já votaram em Flávio Bolsonaro”, resumiu Lucas de Aragão.



