Diferencial entre taxas básicas caiu para 9,75 a 10 pontos percentuais após cortes simultâneos do Banco Central e alta do Federal Reserve.

Corte da Selic e alta de juros americanos reduzem diferencial entre taxas e podem afetar fluxo de investimentos para bolsa e renda fixa brasileiras.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos diminuiu nesta semana após decisões simultâneas dos bancos centrais das duas nações. O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo, enquanto o Federal Reserve elevou a taxa americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Com as duas decisões, o diferencial nominal entre as taxas básicas ficou entre 9,75 e 10 pontos percentuais.
Segundo João Daronco, analista da Suno Research, a redução do diferencial tende a diminuir a atratividade dos ativos brasileiros, o que pode reduzir o fluxo de recursos para o país e afetar tanto a bolsa quanto a renda fixa, além de pressionar o real frente ao dólar.
“Não é por essa queda (da Selic) que o Brasil deixará de ser um lugar atrativo para investidores internacionais”.
Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o Brasil ainda se destaca no contexto de carry trade por estar entre as maiores taxas de juros reais do mundo. Segundo ele, a atratividade das ações depende também da perspectiva de lucros, do câmbio e da percepção de risco.
Nicolas Mérola, analista da EQI Research, afirma que a vinda do investidor estrangeiro para a bolsa brasileira não está 100% atrelada aos juros, mas sim à rotação de portfólios dentro do mercado de investimentos emergentes. Ele reconhece, contudo, que “o natural de se pensar é que a alta de juros norte-americanos deve reter cada vez mais capital nos Estados Unidos”, uma vez que os títulos se tornam mais atrativos, especialmente para quem busca segurança e liquidez.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar uma probabilidade de mais de 50% de uma nova alta de juros norte-americanos na reunião de outubro. Para Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, apesar de o movimento merecer atenção, não deve significar uma fuga “estrutural” da bolsa brasileira: “o que vai definir é a combinação de eleição, fiscal e preços de commodities”.



