Relógios voltam à tona em novo desdobramento contra senador Wagner

Operação contra Jaques teve porta arrombada e duração de duas horas

Operação da PF apreende 13 peças de valor em endereço de senador do PT; caso retoma padrão de apreensões anteriores

Relógios voltam à tona em novo desdobramento contra senador Wagner
Operação de duas horas resultou em apreensão de numerário e objetos de valor. Foto: Polícia Federal — Foto: Operação contra Jaques teve porta arrombada e duração de duas horas

Ação da Polícia Federal contra senador do PT-BA apreendera 13 relógios, além de numerário em dólar e euro. Padrão repete investigações anteriores.

Relógios e numerário figuram novamente em investigação contra senador petista de importante posição na base aliada

A Polícia Federal desencadeou nova operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), incluindo apreensão de 13 relógios em endereço sob seu controle na capital federal. O achado ressuscita questões sobre preferências do parlamentar por coleções de peças relojoeiras, fenômeno que já havia marcado investigações anteriores contra o político.

Além das 13 peças, autoridades federais recolheram US$ 55 mil e 33 mil euros. O senador afirma que o numerário corresponde a diárias legais e declaradas, relativas a missões internacionais oficiais não utilizadas.

Histórico de apreensões similares marca trajetória investigativa

A situação atual não representa primeira vez que investigadores encontram relógios associados ao senador baiano. Em 2018, operação anterior da Polícia Federal resultou na apreensão de 15 relógios, designados pela corporação como peças de luxo. Na ocasião, a delegada Luciana Matutino, responsável pelas apurações, afirmou publicamente que o senador demonstrava evidente interesse pelo segmento relojoeiro.

Aquela investigação centrava-se em supostas irregularidades relacionadas à reconstrução do estádio da Fonte Nova, empreendimento conduzido pela Odebrecht e OAB para a Copa do Mundo de 2014.

Delator da Odebrecht citou presentes milionários

Documentos de colaboração premiada revelam que Cláudio Melo Filho, antigo diretor da Odebrecht, forneceu depoimento mencionando presenteação de relógios ao senador. Conforme o delator, teria cedido uma peça Hublot avaliada em US$ 20 mil e outro modelo Corum no valor de US$ 4 mil.

Outros delatores complementaram o relato, sustentando que o senador frequentemente solicitava que empresas construtoras adquirissem relógios para que ele presenteasse pessoas próximas com os itens.

Explicação ofertada pelo senador para as posses

Após os relatos ganharem visibilidade pública, o senador compareceu a manifestação partidária na Bahia e forneceu versão alternativa dos fatos. Afirmou que havia adquirido relógios durante viagens à China, classificando-os como réplicas. Alegou desinteresse em marcas prestigiadas, exibindo peça que carregava no pulso como exemplo de imitação.

Segundo a assessoria do senador em nota oficial, o parlamentar nega qualquer “atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira” e permanece disponível para prestar esclarecimentos às autoridades.

Anedota presidencial reforça padrão de comportamento

Literatura sobre vida política brasileira inclui episódio revelador sobre preferências do senador. Conforme narrativa do consultor Mario Rosa em publicação dedicada a crises políticas, o senador elogiou relógio de Sandro Rossel quando este exercia presidência do Barcelona em jantar diplomático. O dirigente catalão, tocado pelo comentário, removeu imediatamente a peça de seu pulso e a presenteou ao senador baiano.

Este padrão comportamental documentado em múltiplas ocasiões contrasta com negativas constantes do parlamentar quanto ao interesse por coleções caras ou marcas de renome internacional.

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