Santoro cobra clareza do BC sobre fixação da Selic

Ministro dos transportes, George Santoro  • Foto: Vosmar Rosa/MT

Ministro dos Transportes defende maior transparência nas decisões de política monetária e critica patamar elevado de juros

Santoro cobra clareza do BC sobre fixação da Selic
Ministro dos Transportes, George Santoro. Foto: Vosmar Rosa/MT — Ministro dos transportes, George Santoro  • Foto: Vosmar Rosa/MT

Durante inauguração de ferrovia no Mato Grosso, ministro pediu maior divulgação das bases que embasam decisões monetárias e criticou juros elevados.

O ministro dos Transportes solicitou ao Banco Central maior transparência na metodologia aplicada para fixação da taxa Selic, argumentando que a clareza nas decisões de política monetária facilita o diálogo sobre redução de juros no país.

Durante cerimônia de inauguração da Ferrovia Estadual do Mato Grosso, o gestor abordou um tema recorrente entre membros do governo: a necessidade de divulgar com mais detalhe os fundamentos técnicos que orientam aumentos ou reduções da taxa básica.

Autonomia não significa falta de diálogo público

O ministro ressaltou que sua crítica não questiona a independência operacional da autoridade monetária. A observação aponta para a forma como as decisões são comunicadas e justificadas ao público e aos agentes econômicos.

Segundo o gestor, instituições como o Federal Reserve adotam práticas mais abertas ao registrar integralmente suas sessões de deliberação, tornando-as acessíveis posteriormente. “É importante a gente discutir isso. Nós precisamos melhorar essa transparência para reunir uma agenda fundamental,” afirmou durante o evento.

Esta posição alinha-se com críticas de setores da indústria de infraestrutura que apontam custos de financiamento como obstáculos para a viabilização de novos projetos de médio e longo prazo.

Contexto de juros ainda pressionados

Na última reunião de política monetária, realizada na quarta-feira 17 de junho, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando o indicador para 14,25% ao ano. A decisão representou o terceiro corte consecutivo com magnitude idêntica.

Apesar dos recentes ajustes para baixo, o patamar permanece elevado em comparação com períodos históricos. Analistas atribuem a manutenção de juros altos a fatores como pressões inflacionárias ainda presentes, incertezas relacionadas à trajetória fiscal do governo federal e tensões geopolíticas internacionais.

Debate sobre investimentos produtivos

O posicionamento do ministro reflete uma tensão típica em economias que combinam inflação elevada com juros altos. De um lado, a autoridade monetária justifica sua cautela pela necessidade de controlar preços. Do outro, setores como transportes e infraestrutura argumentam que custos de capital elevados inviabilizam a execução de projetos estruturais.

Para o gestor, desenvolver “uma agenda importante para a redução desses juros” depende, em parte, da capacidade de construir consenso técnico e político. A maior comunicação das bases metodológicas contribuiria nesse sentido.

Impacto econômico além da taxa

A questão transcende o mero debate sobre números. Taxa Selic elevada afeta diretamente o custo de captação de recursos para empresas de infraestrutura, tornando projetos de investimento em rodovias, ferrovias e portos menos competitivos financeiramente.

Complementarmente, o custo do crédito para o consumidor final também sobe, reduzindo a capacidade de gasto das famílias e realentecendo a atividade econômica geral. Esse efeito multiplicador justifica a insistência de gestores públicos em discutir a política monetária.

Modelo comparativo internacional

Ao citar a experiência do banco central norte-americano, o ministro não sugere cópia literal, mas exemplifica uma abordagem que equilibra independência técnica com prestação de contas. Muitas instituições monetárias internacionais realizam publicações periódicas detalhando rationale das decisões.

Essa prática constrói maior confiança pública nas instituições e reduz espaço para especulações infundadas sobre motivações das autoridades. No contexto brasileiro, tal abertura poderia fortalecer o diálogo entre governo, setor privado e sociedade sobre a trajetória esperada para juros.

As declarações do ministro sinalizam que o tema da transparência monetária permanecerá em destaque nos próximos meses, especialmente conforme avança a discussão sobre metas fiscais e cenários macroeconômicos para 2027.

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