Setor agropecuário do Paraná questiona fim da escala 6×1 no STF

Sistema Faep estima impacto de R$ 4,1 bilhões e necessidade de 107 mil contratações no agronegócio paranaense

Setor agropecuário do Paraná questiona fim da escala 6x1 no STF
Setor agropecuário se prepara para ação no STF contra PEC aprovada pelo Senado. Foto: Ari Dias | AEN

Sistema Faep vai auxiliar CNA em ação no Supremo contra constitucionalidade da PEC 221/2019, aprovada pelo Senado na quarta-feira

O Sistema Faep, conjunto de entidades do setor agropecuário no Paraná, anunciou que está em diálogo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para questionar a constitucionalidade da PEC 221/2019 no Supremo Tribunal Federal (STF). O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (15), logo após a aprovação da proposta pelo Senado Federal na noite de quarta-feira (14).

A PEC 221/2019 foi aprovada por 75 votos a favor e 1 contrário e prevê o fim da jornada de trabalho 6×1 e a limitação da jornada de trabalho a 40 horas semanais. As entidades pretendem auxiliar a CNA com informações sobre a realidade do campo paranaense para subsidiar a ação judicial.

Segundo o setor, um dos principais argumentos contra a constitucionalidade da proposta é que ela exclui do limite de jornada e do controle de ponto trabalhadores com ensino superior e remuneração acima de 2,5 vezes o teto do INSS (R$ 21.188 por mês). Para as entidades, essa exclusão violaria o princípio da isonomia previsto na Constituição Federal e estabeleceria uma distinção com base em escolaridade e renda.

Segundo o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, o agro enfrenta limitações operacionais com a mudança: “O produtor rural paranaense enfrenta um cenário generalizado de endividamento, devido a fatores como perdas climáticas, juros altos e queda nos preços das commodities. Se ainda tiver que pagar volumes massivos de horas extras e contratar mais trabalhadores, será inviável se manter na atividade”.

Estudo realizado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep aponta que a mudança custará R$ 4,1 bilhões ao agronegócio paranaense, valor referente a salários e encargos obrigatórios para cobrir o vácuo operacional do setor. Segundo o estudo, seriam necessárias 107 mil novas contratações.

Procuradas, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), a Associação Comercial do Paraná (ACP) e a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap) informaram que não devem se manifestar oficialmente no momento sobre a aprovação da proposta no Congresso Nacional.

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