Acordo permite Moscou vender até 1 milhão de toneladas mensais, mas representa mudança radical nas sanções americanas contra energia russa

Acordo de Trump permite venda de diesel russo sem contrapartida. Rússia venderá 300 mil toneladas em outubro, 500 mil em novembro e 1 milhão depois.
O presidente Donald Trump autorizou a venda de diesel russo sem exigir contrapartidas da Rússia no conflito com a Ucrânia, em movimento que marca reversão radical nas sanções energéticas americanas.
De acordo com Trump, o acordo envolve a venda de “mais de” 300 mil toneladas de diesel em outubro, 500 mil em novembro e 1 milhão “depois disso”. O diesel pode ser vendido para os EUA ou para terceiros países.
O volume autorizado representa uma pequena fração do consumo global: o mundo consome 29 milhões de toneladas de diesel por dia. O impacto econômico imediato é limitado.
A medida reverte a posição dos EUA desde a invasão em grande escala da Ucrânia, quando sanções contra a energia russa foram implementadas. O próprio governo Trump havia tornado essas restrições ainda mais rigorosas antes da decisão atual.
A motivação declarada para a abertura é aliviar a pressão de preços do diesel nos EUA. O combustível subiu de US$ 3,81 para US$ 6,53, em média, desde fevereiro de 2026. O valor do diesel incide sobre setores estratégicos como transporte e agricultura, e se soma ao alto custo da gasolina, que saltou de US$ 2,94 para US$ 4,36, em média.
Os republicanos enfrentam eleições para um terço do Senado e toda a Câmara no dia 3 de novembro, em contexto de alta inflação também nos alimentos e moradia.
A medida provocou críticas de congressistas democratas e republicanos por representar uma concessão à Rússia sem nenhuma contrapartida. Trump chamou a guerra de “ridícula”.
Um dos principais métodos da Ucrânia para pressionar a Rússia têm sido os ataques com drones às refinarias russas, que diminuem a capacidade de produção de diesel e gasolina. A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, após EUA e Arábia Saudita.
Com o acordo, Trump exerce pressão sobre a Ucrânia para suspender os ataques às refinarias, enquanto a Rússia mantém bombardeios contra alvos civis nas cidades ucranianas com drones e mísseis.



