TSE tem regras robustas sobre IA, mas especialista vê lacunas em eleições

Segundo professor da UERJ, normas do tribunal não cobrem situações como geração de figurinhas com nomes de candidatos

TSE tem regras robustas sobre IA, mas especialista vê lacunas em eleições
TSE mantém decisão que barra interferência da Meta no conteúdo eleitoral Foto: TSE

O TSE possui o conjunto de regras mais robusto entre democracias sobre IA em período eleitoral, mas lacunas surgiram na reta final das eleições

O Tribunal Superior Eleitoral possui o conjunto de regras mais robusto entre as democracias no que diz respeito ao uso de inteligência artificial em período eleitoral, mas lacunas regulatórias surgiram na reta final das eleições. A avaliação é do professor de Direito da UERJ e diretor do ITS Carlos Affonso Souza.

O anúncio de novas regras para os canais de WhatsApp das campanhas — divulgado com apenas nove dias para o encerramento do segundo turno — ilustra os limites do sistema regulatório vigente, segundo o especialista.

“O TSE tem o que talvez seja o conjunto de regras mais robusto que diz respeito ao uso de inteligência artificial para fins eleitorais das democracias”, afirmou Carlos Affonso Souza, acrescentando que a corte aplica normas sobre internet e redes sociais há mais de uma década.

A discussão em torno dos grupos de WhatsApp de campanhas, especialmente o caso envolvendo o canal do deputado federal André Janones (Rede-MG), expôs que as normas então vigentes não eram suficientes para tratar das particularidades que emergiram. As polêmicas incluíram a impossibilidade de gerar uma figurinha ou pôster com o nome de um candidato enquanto o de outro era permitido — situação que envolveu as campanhas de Flávio e Lula com a Meta.

Segundo Carlos Affonso Souza, a responsabilidade pelas lacunas recai sobre dois lados. De um lado, as empresas de tecnologia, que conduzem a moderação de conteúdo e o treinamento de seus modelos de inteligência artificial com pouca transparência.

“Quando a gente olha para a moderação de conteúdo, ela é pouco transparente, pouco informativa, pouco coesa”, disse o especialista, destacando que essa opacidade gera incerteza sobre o funcionamento das próprias plataformas.

De outro lado, o próprio TSE também é apontado como parte do problema. A criação de novas regras a apenas nove dias do fechamento do segundo turno é, para o especialista, um componente que contribui para o que ele chamou de “dupla incerteza” — tanto sobre o funcionamento das plataformas quanto sobre as exigências regulatórias.

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