Vices de Flávio e Lula buscam votos em território adverso no segundo turno

Alfredo Gaspar concentrou 91,7% de suas agendas no Nordeste, reduto eleitoral de Lula, entre 9 e 24 de outubro

Vices de Flávio e Lula buscam votos em território adverso no segundo turno
Alfredo Gaspar e Geraldo Alckmin buscaram ampliar apoio em territórios de rejeição de suas chapas. Foto: CNN — Foto: Alfredo Gaspar e Geraldo Alckmin  • CNN

Vices escalados para diálogo com eleitores resistentes. Gaspar concentrou agendas no Nordeste; Alckmin buscou conservadores.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escalaram seus vices para dialogar com eleitores mais resistentes às suas candidaturas no segundo turno e tentar reduzir a rejeição.

Alfredo Gaspar (PL-AL), deputado federal por Alagoas e vice de Flávio, dedicou-se a percorrer o Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula. Geraldo Alckmin (PSB), vice do presidente, buscou atrair eleitores conservadores e moderados, reforçando a estratégia petista de dissociar a direita do bolsonarismo.

Levantamento mostra que Gaspar cumpriu 24 agendas entre 9 e 24 de outubro. Dessas, 22 foram no Nordeste, o equivalente a 91,7% do total. As únicas exceções foram compromissos em Brasília e Belo Horizonte. Em 16 dias de programação, o vice de Flávio passou por oito dos nove estados nordestinos. O Rio Grande do Norte ficou a cargo do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno, Lula venceu nos nove estados do Nordeste, com 63,77% dos votos válidos, contra 30,85% de Flávio Bolsonaro. O presidente recebeu 21,5 milhões de votos na região, ante 10,4 milhões do senador, uma vantagem de 11,1 milhões. Alagoas foi o estado nordestino em que Flávio mais se aproximou de Lula. O petista recebeu 54,73% dos votos, contra 40,45% do adversário, uma diferença de 14,28 pontos percentuais. Maceió, capital e base eleitoral de Gaspar, foi a única capital nordestina em que o candidato do PL venceu.

Do lado petista, a ampliação do espaço de Alckmin foi defendida por aliados após o primeiro turno. A orientação era reduzir o protagonismo da primeira-dama Janja da Silva e dar mais exposição ao vice, considerado capaz de atrair eleitores conservadores e moderados. Com programação própria, Alckmin passou a dialogar com segmentos mais resistentes ao petista, entre eles empresários, eleitores de direita e prefeitos de partidos fora da base governista. A trajetória do ex-tucano, que disputou a Presidência contra Lula em 2006 e se aliou a ele em 2022, serviu de argumento para a campanha, com a mensagem de que o eleitor não precisava ser de esquerda ou petista para apoiar a chapa.

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