Estratégia evoluiu de silêncio para críticas diretas conforme impacto nas pesquisas aumentava durante primeira quinzena de setembro

Campanha do presidente Lula intensificou críticas ao STF conforme crise impactava pesquisas. Inicialmente, evitou citar ministros nominalmente.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alterou estrategicamente sua comunicação sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) conforme o impacto político nas pesquisas aumentava durante a primeira quinzena de setembro.
O tom inicial da campanha descartava qualquer conexão com os fatos divulgados e focava em condenar vazamentos seletivos, além de pedir retirada de sigilo do caso Dark Horse. Conforme o impacto da crise desencadeada no Supremo intensificava, o posicionamento evoluiu gradualmente.
O PT testou discurso antissistema inicialmente com vídeo de Edinho Silva, presidente da sigla. Sem resultado suficiente, o próprio Lula gravou vídeos para redes sociais dois dias depois, elevando o tom contra o caso Master e citando a gravidade dos acontecimentos no STF, mas sem nominar ministros ao defender investigações “doa a quem doer” e sem blindagens.
Em tom institucional, no dia 4 de setembro, Lula quebrou o silêncio e afirmou que o povo brasileiro espera que o presidente do STF, Edson Fachin, e a Procuradoria-Geral da República (PGR), “liderem um processo para garantir a integridade e a confiança nas investigações”.
Conforme a crise continuava afetando a campanha com índices preocupantes nas pesquisas, o QG de Lula orientou elevação progressiva do tom. O PT começou a trabalhar com bordões sobre Daniel Vorcaro, com peças disparadas pela militância dizendo que “no governo Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro e no governo Lula, prisioneiro”.
Lula custou a largar a defesa de Alexandre de Moraes, alvo de suspeitas após relatório que aponta 52 trocas de mensagens com Vorcaro e consulta sobre eventual fuga do país às vésperas da prisão. Só citou Moraes nominalmente dias depois em entrevista ao SBT, após fazer críticas aos vazamentos seletivos de viés político e elogios a Fachin por trazer o processo de apuração para si.
“Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo e a verdade seja soberana. É isso que eu quero”, disse em entrevista ao SBT.
Em entrevistas após a sessão da última terça-feira (15), em que o pedido de vista de Flávio Dino congelou o andamento do processo, Lula começou a falar mais enfaticamente sobre Moraes. A avaliação de alas do PT é de que Dino trouxe mudanças relevantes no posicionamento da campanha.



