Setores de giro rápido como turismo e farmácias crescem enquanto construção civil e bens de capital enfrentam restrição de crédito.

Relatório do Itaú mostra que economia opera em duas velocidades: setores dependentes de crédito enfrentam restrição, enquanto serviços crescem.
O Itaú identificou que a economia brasileira opera em duas velocidades distintas, conforme análise do relatório Orange Book divulgado nesta quarta-feira (24). A pesquisa, realizada em agosto com 34 setores analisados, mostrou que juros em patamares restritivos criam dinâmicas econômicas divergentes.
Setores dependentes de crédito de longo prazo, como construção civil, maquinário e bens de capital, enfrentam repressão de investimentos. Estas atividades estão focando em automação, formação de caixa e corte de custos diante da restrição do acesso ao financiamento. Segmentos de giro rápido, como turismo, farmácias, educação e alimentação, apresentam cenário mais favorável sustentado pelo mercado de trabalho apertado e pela resiliência da renda das famílias.
A análise incluiu avaliações sobre demanda, mercado de trabalho, custos, investimento e concorrência, com respostas em escala de 0 a 10. Os 34 setores analisados pontuaram uma média de 6,3 na análise de aumento da demanda atual, sendo 0 uma piora forte e 10 uma melhora forte.
Nove setores pontuaram sete ou mais: turismo (10); óleo e gás (9); varejo de vestuário e calçados (9); farmácias (9); hotéis e restaurantes (8,7); imóveis e construções comerciais (8,3); eletrônicos (8); indústria de vestuário (7,5); e metalurgia e siderurgia (7). Na outra ponta, oito setores obtiveram nota até 5: aves e suínos (3); saneamento (3); açúcar e álcool (4,5); residencial (4,7); bens de capital (5); química (5); papel e celulose (5); e mineração (5).
Segundos o relatório, setores com exportações ou aumento de renda, como óleo e gás, mineração, turismo, farmácia e serviços, apresentam ambiente mais favorável. Atividades que não precisam de empréstimos para escoar sua oferta sobrevivem amparadas na continuidade do consumo das famílias, mantendo-se imunes ao choque de juros que trava o restante da economia.



