Aneel aumenta projeção de reajuste tarifário para 9,4% em 2026 apesar de bandeira verde

Agência elevou estimativa em setembro ante IPCA de 5%. Bandeira verde de outubro retira adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh após cinco meses de amarela.

Aneel aumenta projeção de reajuste tarifário para 9,4% em 2026 apesar de bandeira verde
Pressão tarifária segue alta mesmo com bandeira verde em outubro. Foto: Aneel — Foto: ONS projeta alta de 4,1% no consumo de energia em 2026 no país

A Aneel elevou a projeção do efeito tarifário médio para 9,4% em 2026, ante estimativa de 8,6% em junho. Bandeira verde de outubro retira adicional de R$ 1,885.

A Aneel elevou para 9,4% a projeção do efeito tarifário médio em 2026, ante estimativa de 8,6% realizada em junho. O percentual supera o IPCA de 5% considerado no boletim da agência e varia entre distribuidoras.

A bandeira verde de outubro traz alívio após cinco meses consecutivos de amarela. Sai da conta o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh. Mesmo assim, fica evidente uma característica do setor elétrico brasileiro: produzir energia pode ficar mais barato sem que a tarifa siga o mesmo caminho.

A pressão aumentou apesar da repactuação do Uso de Bem Público das hidrelétricas, recursos utilizados para amortecer reajustes no Norte e Nordeste. Bandeira e tarifa capturam movimentos diferentes. A primeira sinaliza principalmente as condições conjunturais de geração. A tarifa inclui ainda compra de energia, transmissão, distribuição, encargos setoriais e componentes financeiros. Por isso, chuva suficiente para retirar o adicional não elimina pressões acumuladas em outras parcelas da conta.

O Programa Mensal da Operação do ONS, divulgado em 25 de setembro, projeta para outubro afluências de 193% da média histórica no Sul e 105% no Sudeste/Centro-Oeste. Para a semana de 26 de setembro a 2 de outubro, o Custo Marginal de Operação ficou projetado em R$ 42,43 por MWh no Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. No Norte, com afluências de apenas 43% da média, chega a R$ 461,46.

Os reservatórios pedem cautela. O sistema Sudeste/Centro-Oeste estava com 57,4% de armazenamento em 25 de setembro e deve terminar outubro em 55,6%, mesmo com afluências acima da média. Na mesma semana operativa, o ONS prevê cerca de 7,6 GW médios de geração térmica. Aproximadamente 7,1 GW decorrem de inflexibilidade, geração mínima obrigatória por razões técnicas ou contratuais. Apenas 507 MW médios, concentrados no Norte, são acionados por critério econômico.

A expansão eólica e solar acrescentou outra dinâmica à operação. A geração solar distribuída reduz fortemente a carga líquida em determinados horários, enquanto parques eólicos e solares centralizados também podem produzir mais energia do que o sistema consegue absorver. Em 2026, o ONS já precisou acionar seu Plano de Gestão de Excedentes em 7 de junho e 23 de agosto, momentos em que o problema foi administrar sobra de energia em vez de escassez.

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