Taxa de frustração na obtenção de financiamento sobe para 24,7% em operações de curto e médio prazo

Levantamento da CNI com 1.701 empresas industriais mostra que 76% enfrentam dificuldades de crédito por causa das taxas elevadas
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou que os juros elevados são o principal obstáculo para a indústria brasileira obter crédito. Entre as empresas que enfrentaram dificuldades para conseguir financiamento de curto ou médio prazo, 76% apontaram as taxas como uma das principais barreiras. Nas operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, os juros foram citados por 69% dos empresários.
Os dados provêm de pesquisa que ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto sobre as condições enfrentadas entre fevereiro e julho. A amostra incluiu 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes empresas industriais em todo o país, conforme informações da Agência Brasil.
Apesar de ainda liderarem o ranking de obstáculos, as taxas perderam peso em relação à pesquisa anterior. Em 2025, eram apontadas por 80% das empresas nas operações de curto e médio prazo e por 71% nas de longo prazo, segundo a CNI.
Depois dos juros, as exigências de garantias reais aparecem como o principal entrave nas operações de curto e médio prazo. O problema foi citado por 33,4% das empresas. No crédito de longo prazo, o percentual ficou em 31,5%. A burocracia foi mencionada por 13,6% dos empresários nas operações de curto e médio prazo.
Quase metade das empresas industriais, 49,9%, não tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram contratar ou renovar financiamento, e 7,5% tentaram, mas não obtiveram os recursos. No crédito de longo prazo, 54% não buscaram financiamento. Outros 15,5% conseguiram contratar ou renovar operações, e 9,2% tentaram, sem sucesso.
Considerando apenas as empresas que efetivamente buscaram crédito, a taxa de frustração aumentou em relação a 2025. No curto e médio prazo, a taxa ficou em 24,7%, contra 20% em 2025. No longo prazo, chegou a 37,2%, contra 33% no ano anterior, de acordo com a CNI.
As pequenas empresas tiveram os maiores índices de insucesso. No longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram obter o crédito procurado, ante 29,9% das grandes empresas industriais. A pesquisa também identificou que empresas industriais continuam recorrendo a linhas de longo prazo para financiar despesas do dia a dia. Entre as que buscaram esse tipo de crédito, 28,7% indicaram o capital de giro como principal finalidade, superando os 23,6% destinados a investimentos em máquinas e equipamentos.



