Estado Islâmico usa Iêmen como centro financeiro para ataques a cristãos

Grupo canaliza dezenas de milhares de dólares mensais em criptoativos para operações em ásia e África

Estado Islâmico usa Iêmen como centro financeiro para ataques a cristãos
Bandeira do Iêmen em Sanaa, patrimônio da Unesco destruído pela guerra civil. Foto: Canva Pro

Relatório da International Christian Concern aponta que o Iêmen funciona como intermediário na transferência mensal de dezenas de milhares de dólares para operações do Estado Islâmico contra comunidades cristãs globais.

O Iêmen emergiu como centro nevrálgico da rede de financiamento do Estado Islâmico, facilitando transferências mensais de dezenas de milhares de dólares para operações globais contra cristãos, segundo relatório da International Christian Concern.

O grupo utiliza criptomoedas para contornar bloqueios financeiros e sustentar atividades terroristas direcionadas a comunidades cristãs em diversas regiões. De acordo com o documento, o braço somali da organização desempenha papel fundamental nesse esquema financeiro.

Após a eliminação de Bilal al-Sudani pelas forças especiais dos EUA em 2023, o grupo reestruturou sua logística financeira estabelecendo conexões mais estreitas com militantes iemenitas. O Iêmen passou a funcionar como intermediário indispensável, canalizando recursos que permitem ao braço somali adquirir drones, explosivos e armamento.

O relatório aponta que o Iêmen envia cerca de 25 mil dólares mensais para o Khorasan (ISKP) na Ásia. A infraestrutura permite que a organização mantenha operações terroristas em múltiplas regiões simultaneamente.

Segundo o documento da International Christian Concern, a perseguição aos cristãos não é subproduto ocasional, mas objetivo central baseado na rejeição ideológica à divindade de Jesus Cristo. O grupo utiliza propaganda extremista para incitar violência e conclamar seguidores a promoverem atentados como forma de retaliação.

O relatório cita registro de propaganda do grupo: “É dever de um muçulmano tratar os cristãos da mesma forma que tratam os muçulmanos. Portanto, assim como eles destroem os muçulmanos com seus ataques aéreos e bombas, o dever do muçulmano é transformar suas celebrações em funerais e tragédias.”

O documento defende ação coordenada que vá além de operações militares convencionais para desmantelar a infraestrutura. A recomendação central é aumentar o escrutínio sobre plataformas de redes sociais criptografadas e o mercado de moedas digitais.

A inteligência internacional enfrenta pressão para impedir que o Estado Islâmico mantenha controle territorial, o que garante viabilidade de esquemas de extorsão e cobrança de tributos. Medidas para evitar que o grupo explore populações locais e atividades econômicas são consideradas essenciais pelo relatório.

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