Egito detém seis jovens cristãos por vídeo no TikTok interpretado como desrespeitoso

Grupo com idade entre 17 e 23 anos permanece em prisão preventiva há mais de duas semanas após parodiar cena de filme disponível na televisão egípcia

Egito detém seis jovens cristãos por vídeo no TikTok interpretado como desrespeitoso
Bandeira do Egito. Foto: Canva Pro — Bandeira do Egito. (Foto: Canva Pro)

Seis jovens cristãos com idades entre 17 e 23 anos permanecem detidos no Egito por vídeo no TikTok interpretado como desrespeitoso aos preceitos do Islã.

Seis jovens cristãos, com idades entre 17 e 23 anos, permanecem detidos no Egito há mais de duas semanas após a publicação de um vídeo no TikTok interpretado como desrespeitoso aos preceitos do Islã.

Segundo grupos de direitos humanos e de defesa jurídica, as autoridades iniciaram os interrogatórios em 10 de outubro, resultando em prisões preventivas determinadas pelo Ministério Público de Segurança do Estado e pelo tribunal de Tagamoa.

O material em questão reproduz uma cena do filme “Khalawis”, lançado em 2018 e ainda disponível na televisão egípcia, no qual personagens tentam realizar orações sem conhecimento dos versículos corânicos. Os envolvidos, residentes na aldeia de Ezbet Tanious, alegaram ter feito a postagem por impulso em 4 de outubro, removendo-a horas depois após alertas de amigos.

A situação escalou quando moradores locais compartilharam o conteúdo. De acordo com relatos, reações hostis e pedidos de violência foram direcionados contra os jovens e seus familiares. Cinco dos rapazes foram levados por parentes e representantes da igreja a uma delegacia de polícia na tentativa de conter a tensão sectária. O sexto indivíduo se entregou após a detenção de sua mãe como forma de pressão policial.

Uma reunião de reconciliação foi realizada no dia 9 de outubro com a presença de clérigos e líderes locais, onde a diocese formalizou um pedido de desculpas, conforme descrito por grupos de direitos humanos. A persecução judicial, porém, seguiu em frente.

Os advogados da organização ADF International destacam que casos semelhantes são frequentes no Egito, onde minorias cristãs enfrentam ameaças e prisões por discursos considerados problemáticos pela maioria religiosa.

Especialistas em direitos humanos sustentam que a detenção carece de fundamentos legais, tratando-se de uma reprodução de uma peça cômica disponível online. A organização argumenta que o episódio evidencia como órgãos de segurança frequentemente resolvem disputas locais favorecendo o lado mais forte, em detrimento dos direitos de grupos minoritários. Os grupos apelam pela libertação imediata dos detidos.

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