Fenômeno pode superar todos os episódios desde 1950 e ameaça plantio de safra recorde no Brasil com seca no centro-norte

A NOAA estima 83% de probabilidade de que El Niño supere todos os registros desde 1950 no trimestre outubro-dezembro, com anomalia de 3,7°C.
A NOAA estimou em 83% a probabilidade de que o El Niño supere todos os episódios registrados desde 1950 durante o trimestre outubro-dezembro de 2026, segundo dados de 8 de outubro. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta anomalia média de 3,7°C na região Niño 3.4 do Oceano Pacífico, com pico previsto para dezembro.
O prognóstico da OMM contrasta com o recorde anterior de 2,6°C, registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. A OMM considera eventos com anomalia média acima de 2,0°C como muito fortes, tornando a projeção atual quase o dobro desse limiar.
O fenômeno ocorre no momento em que o Brasil planta a safra da qual espera um novo recorde, gerando preocupação com impactos na inflação. Chuva abundante em uma região não compensa uma quebra de produtividade em outra, segundo análise de especialistas.
O Painel El Niño, coordenado pelo Inmet com seis outras instituições, alerta para seca no centro-norte e excesso de chuva no Sul. Segundo dados parciais do Cemaden, os municípios em seca extrema passaram de quatro para 24 em um mês.
A Conab projeta 366,6 milhões de toneladas de grãos, já admitindo recuo da produtividade média. Nas grandes áreas de soja do centro-norte, calor e falta de água durante o desenvolvimento das plantas podem pesar mais que a expansão da área plantada. No Sul, a chuva pode beneficiar a soja, mas prejudicar o trigo.
O setor elétrico também enfrenta impactos assimétricos. No Programa Mensal de Operação de 3 a 9 de outubro, o ONS projetava afluências de 244% da média no Sul e 128% no Sudeste/Centro-Oeste, mas apenas 48% no Norte. Para Belo Monte, a previsão era de somente 22% da afluência usual.



