Mudança de postura vem após ativismo no primeiro turno ter resultado em votos para Flávio Bolsonaro, segundo relatos internos da Corte

Ministros próximos ao governo Lula mudaram estratégia no segundo turno após ativismo no primeiro turno favorecer Flávio Bolsonaro, segundo relatos internos.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) próximos ao governo Lula modificaram sua estratégia no segundo turno das eleições, adotando maior discrição após avaliação interna de que o ativismo no primeiro turno favoreceu candidatos da oposição.
Flávio Dino é o ministro que mais adotou reserva até agora, mantendo completa discrição nos primeiros dez dias da campanha do segundo turno. Segundo relatos de bastidores da Corte, a mudança representa inversão total em relação ao comportamento durante o primeiro turno, quando o ministro liderou movimentos para derrubar decisões favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a abertura de investigações sobre interferência estrangeira e violência religiosa.
Alexandre de Moraes, principal alvo do bolsonarismo, adotou posições interpretadas como gestos ao bolsonarismo após o primeiro turno. O ministro determinou progressão de pena para Débora do Batom, arquivou processos contra bolsonaristas e permitiu visitas de Flávio Bolsonaro ao pai em prisão domiciliar, após ter vetado qualquer visitação há três meses.
Ao lado de Gilmar Mendes, Moraes tem investido em estratégia para fragilizar Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é expor relacionamento de Kassio com o banqueiro Daniel Vorcaro e apontar atuação parcial de André Mendonça em casos como Master, segundo informações de bastidores.
A estratégia tem como eixo principal auditoria realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em processos nos quais se acredita que aliados de Kassio obtiveram vantagens. As investigações envolvem precatórios do setor sucroalcooleiro e processos de hospitais que solicitam substituição da Tabela SUS pela Tunep em contratos com poder público, resultando em emissão antecipada de precatórios.
Gilmar Mendes, aliado de Moraes e Dino, é um dos principais defensores dessa agenda do CNJ. Segundo interlocutores, o ministro avalia que a situação de Kassio é mais sensível que a de Moraes, cuja esposa fechou contrato de R$ 129 milhões com Vorcaro. A Polícia Federal localizou mensagens do banqueiro sugerindo que o ministro atuava como consultor jurídico em Brasília.



