Daniel Vorcaro acusa intermediários ligados ao PT de exigir pagamentos para acesso a recursos; PF e PGR divergem sobre recebimento de material

Revista publica relatos de banqueiro sobre pagamentos para acessar fundos de estatais; acusações envolvem assessores de Lula e seguem sem comprovação judicial
A revista Veja publicou em 9 de outubro denúncias do banqueiro Daniel Vorcaro sobre esquema de propinas para acessar fundos de pensão de estatais federais através do Banco Master. As acusações envolvem interlocutores de Luiz Inácio Lula de Silva (PT), com pagamentos e contrapartidas que seguem sem comprovação judicial.
Segundo a publicação, Vorcaro teria citado João Vaccari Neto, Olavo Noleto e Alexandre Padilha como intermediários. De acordo com a revista, o Banco Master buscava captar R$ 10 bilhões, reservando 10% a intermediários ligados ao PT. A captação federal não se concretizou, conforme a reportagem, que também menciona negócios com fundos municipais.
A Veja afirma que o material chegou à Procuradoria-Geral da República em junho durante negociações de delação. A PGR confirmou ter recebido as propostas elaboradas pela defesa, mas rejeitou a colaboração, preservando os motivos sob sigilo. A Polícia Federal nega ter recebido depoimento ou documentos com tal teor, gerando divergência entre os órgãos sobre o exame do conteúdo apresentado.
Segundo a revista, o consultor Júlio Cezar atuou como mediador, e registros descrevem mais de 450 mensagens e 180 telefonemas com Vorcaro. A documentação menciona reuniões e cobranças por investimentos em fundos de pensão.
A publicação também relata que Vorcaro teria pago R$ 30 milhões em espécie para o documentário de Oliver Stone sobre Lula, além de valores ao Instituto Lula. Segundo documento reproduzido pela Veja, ele associaria os repasses a exigências de Vaccari para acessar fundos. Em julho de 2024, O Globo noticiou o afastamento de gerentes da Caixa após parecer contrário à operação.
Em gravação, Vorcaro afirma: “O do Lula foi por fora, foi errado”, diferenciando o caso do patrocínio de “Dark Horse”, sobre o filme de Jair Bolsonaro. O advogado Daniel Bialski reconheceu a voz do cliente, sem confirmar os fatos ou condições da gravação.
Flávio Bolsonaro explorou a comparação e afirmou que o financiamento do filme do pai não teve contrapartida pelo mandato. A campanha de Lula anunciou ações, enquanto a Advocacia-Geral da União pediu direito de resposta.



