Ibovespa cai 3,3% na semana enquanto dólar volta a R$ 5,10 após pesquisas mostrarem empate técnico

Mercado brasileiro passa por ressaca após euforia da semana anterior. Ibovespa cai, dólar sobe e pesquisas mostram disputa presidencial mais acirrada.
O mercado brasileiro passa por um período de ressaca após a euforia observada na semana anterior, quando o Ibovespa renovou recordes, o dólar operava abaixo de R$ 5 e os juros futuros recuavam. Os números dos últimos dias mostram comportamento invertido.
A bolsa brasileira fechou no negativo nas três últimas sessões e caminha para encerrar a semana com o pior resultado desde agosto. O Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira (15) com queda acima de 1%, se distanciando do pico de 209 mil pontos atingido na semana anterior. Na semana, a desvalorização acumula 3,3%.
O dólar e os juros futuros seguiram o caminho inverso, com altas firmes ao longo das sessões. A divisa dos EUA fechou a R$ 5,08 na quinta-feira, chegando a se aproximar de R$ 5,10 nas máximas da sessão. Os contratos de DIs apagaram grande parte da queda observada no pós-primeiro turno.
A mudança no humor do mercado acompanha os dados das pesquisas eleitorais. Números do Datafolha divulgados na quinta-feira mostram que Flávio Bolsonaro (PL) tem 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (PT). Com margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo, o cenário mostra um empate técnico entre os candidatos.
Analistas ouvidos pela CNN Money afirmam que o mercado voltou a fazer contas sobre os resultados do pleito, principalmente após mobilizações em apoio ao presidente Lula no fim de semana e a sequência de ações que aumentam o “pacote de bondades” do governo federal para reverter o resultado do primeiro turno.
Eduardo Velho, economista-chefe e sócio da Bravonte Capital, explica o raciocínio do mercado: “Como a candidatura de Flávio é considerada pelo mercado a mais propensa a fazer um ajuste fiscal crível e implementar reformas estruturais, e considerando que o mercado já tinha precificado uma probabilidade superior a 60% de sua vitória no segundo turno, é natural o ajuste para baixo dessas apostas”.
Segundo Velho, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro deveria mudar os rumos da política fiscal do governo federal, sobretudo com a vitória majoritária do PL e aliados no Congresso Nacional.



