Reunião com ministro Kassio Nunes Marques não resultou em pacto. Pleito registra mais de 300 ações judiciais entre os candidatos.

O Tribunal Superior Eleitoral não conseguiu estabelecer trégua entre campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula. Reunião convocada pelo ministro Kassio Nunes Marques não resultou em acordo.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não conseguiu estabelecer uma trégua entre as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) para reduzir a judicialização do pleito presidencial de 2026. Reunião convocada pelo ministro Kassio Nunes Marques com as equipes jurídicas dos dois candidatos encerrou sem nenhum acordo.
De acordo com o analista de política Matheus Teixeira, “a gente vive agora em 2026 uma das campanhas presidenciais mais judicializadas da história, são mais de 300 ações nessa guerra judicial entre Flávio e Lula”.
Nunes Marques convocou os advogados das duas campanhas com o objetivo de apaziguar as relações entre os times jurídicos e buscar um entendimento informal para reduzir a litigiosidade. Um dos pontos centrais das negociações foi a questão dos canais de WhatsApp, especialmente o denominado “Exército de Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
“Tentou-se criar ali um consenso sobre as regras, se podiam, por exemplo, incluir o canal de Janones como oficial da campanha”, explicou Teixeira. O PT, por sua vez, cobrou que, caso essa regra fosse adotada, os canais de deputados federais ligados a Flávio Bolsonaro também deveriam ser tratados como oficiais, já que muitos deles utilizam a mesma ferramenta.
Contudo, não se chegou a nenhum consenso sobre as regras aplicáveis a esses canais, tampouco sobre uma redução geral da judicialização. Conforme apurado junto a participantes da reunião, ministros do TSE fizeram um apelo para que as campanhas retirassem ações movidas no primeiro turno e que, nesta altura, dificilmente teriam grande impacto. As equipes jurídicas recusaram, argumentando que, do ponto de vista jurídico, essas ações ainda guardam relevância, mesmo que não alterem o resultado das urnas.
As campanhas demonstraram preferência por aguardar a palavra final do tribunal sobre os pontos que consideram juridicamente relevantes, o que, na prática, mantém o TSE no centro do debate eleitoral. “As próprias campanhas demandam muito o tribunal, e o tribunal tem que dar resposta”, afirmou o analista.
Internamente, o TSE reconhece que algumas de suas intervenções extrapolaram o que está previsto na Constituição e o que seria adequado para o andamento da campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, a Corte aponta que boa parte dessas intervenções ocorre porque as próprias campanhas demandam muito do tribunal.



