Campanha de Lula pede cassação de Flávio Bolsonaro por manipulação algorítmica da Meta

Ação no TSE acusa plataforma de favorecer candidato do PL através de sistemas de recomendação e inteligência artificial generativa

Campanha de Lula pede cassação de Flávio Bolsonaro por manipulação algorítmica da Meta
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Ricardo Stuckert/PR e Carlos Moura/Agência Senado — Foto: Lula e Flávio (Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Carlos Moura/Agência Senado)

A campanha do presidente Lula entrou com ação no TSE pedindo a cassação presidencial da chapa de Flávio Bolsonaro, acusando a Meta de manipulação algorítmica.

A campanha do presidente Lula entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (19) pedindo a cassação presidencial da chapa do candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alegando manipulação algorítmica pela Meta.

Segundo os advogados de Lula, sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial generativa e mecanismos de revisão de anúncios das plataformas da Meta (Instagram, Facebook e WhatsApp) operaram em benefício da candidatura de Flávio, prejudicando o presidente.

A ação aponta incidentes envolvendo ferramentas de IA da Meta no X (o Grok), que geravam propaganda ligada a Flávio e se negavam a gerar para Lula. A campanha alega uso indevido dos meios de comunicação social e abuso do poder econômico.

A peça jurídica cita reportagem da Folha de S.Paulo que revelou mensagens internas em que funcionários da Meta admitiam que Lula foi prejudicado por restrições a anúncios da campanha na plataforma e que o canal de Flávio no WhatsApp e seu perfil no Instagram foram recomendados algoritmicamente, prática vedada pelas regras do TSE.

A ação também aponta o que vê como amplificação algorítmica “atípica” do perfil de Instagram do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais cabos eleitorais de Flávio. Segundo levantamento citado na peça, Nikolas obtém dezenas de milhões de visualizações em seus vídeos, acima do que obtêm perfis com muito mais seguidores, como os de Kylie Jenner, Kim Kardashian, Neymar, Virginia Fonseca e Beyoncé.

Um teste apontado na ação mostra que o mesmo vídeo publicado por Nikolas em duas plataformas teve engajamento muito distinto: alcançou 396,4 mil visualizações no TikTok e 56,1 milhões no Instagram.

Segundo a campanha, os perfis dos dois candidatos no Instagram estariam exibindo engajamento desproporcional. “Embora o perfil (de Flávio) tenha 17,2% menos seguidores (13.606.146 contra 16.436.220), sua média de curtidas e comentários por publicação é 2,96 vezes maior; nos Reels, as visualizações médias chegam a 15,64 milhões, contra 5,91 milhões; e, normalizada pela base de seguidores, a taxa de interação é de 10,23% contra 2,86% -3,58 vezes maior.”

Em resposta, a Meta afirmou que, “em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil”, proibiu temporariamente a geração de imagens de candidatos e adotou medidas adicionais para evitar manipulação algorítmica.

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