Documentos revelam divisão de responsabilidades entre Flávio Félix e Fabiano Zettel na Lagoinha

Vice-presidente cuidava de controladoria global; presidente do Belvedere movimentou R$ 40,9 milhões entre outubro de 2024 e janeiro de 2026

Documentos revelam divisão de responsabilidades entre Flávio Félix e Fabiano Zettel na Lagoinha
Flávio Félix e Fabiano Zettel em montagem divulgada nas redes sociais. Foto: Reprodução — Flávio Félix e Fabiano Zettel aparecem em montagem divulgada nas redes sociais (Foto: Reprodução)

Registros mostram que Félix era responsável pela controladoria global enquanto Zettel respondia pela unidade Belvedere, que recebeu dezenas de milhões

Documentos documentais revelam uma divisão formal entre as responsabilidades de Flávio Félix e Fabiano Zettel na estrutura da Igreja Batista da Lagoinha Global, em Belo Horizonte, conforme registros disponíveis.

Félix foi apresentado ao Senado em 2023 como diretor da Lagoinha Global. Dois anos depois, durante um encontro de lideranças da denominação, constava como responsável pela controladoria, finanças, contabilidade, jurídico e patrimônio. André Valadão o descreveu publicamente como responsável pela controladoria da instituição. Félix ocupava a vice-presidência e era considerado um dos principais homens de confiança do líder da Lagoinha Global.

Zettel atuava em outra estrutura. Ele constava como presidente da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, conforme registro no CNPJ 57.391.420/0001-63, aberto em setembro de 2024. A unidade possuía pessoa jurídica própria, embora utilizasse a marca e integrasse o ambiente institucional da Lagoinha.

Extratos enviados à CPMI do INSS registraram 54 transferências de Zettel para o Belvedere, totalizando R$ 40,9 milhões entre outubro de 2024 e janeiro de 2026. Outro documento, produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), identificou R$ 19,205 milhões em 26 transferências. A diferença decorre do período menor examinado pelo relatório, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.

André Valadão afirmou que a direção global não administrava as contas das igrejas locais e que sabia apenas que Zettel empregava recursos próprios em reformas. Os documentos divulgados não esclarecem se os valores foram doações, empréstimos ou adiantamentos.

Até agora, nenhuma prova pública mostra que Félix administrasse a conta do Belvedere, autorizasse os repasses de Zettel ou mantivesse operação financeira conjunta com ele. O que está demonstrado é uma divisão formal: Félix cuidava de áreas estratégicas da estrutura global; Zettel respondia juridicamente pela unidade onde os milhões foram movimentados.

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