Estudo aponta que gasto público estimula menos economia em 2026 que em 2022

Impulso das despesas primárias foi de R$ 27 bilhões no primeiro semestre, menos da metade do registrado há quatro anos, segundo pesquisador do FGV Ibre

Estudo aponta que gasto público estimula menos economia em 2026 que em 2022
Pacote de bondades vai exigir remanejamento no orçamento de 2027, diz IFI. Imagem gerada por IA — Foto: “Pacote de bondades” vai exigir remanejamento no orçamento de 2027, diz IFI  • Imagem gerada por IA

Os gastos públicos deram estímulo equivalente a menos da metade do observado no mesmo período de 2022, aponta estudo do Observatório de Política Fiscal

Os gastos públicos deram um estímulo à economia brasileira no primeiro semestre de 2026 equivalente a menos da metade do observado no mesmo período de 2022. Segundo estudo publicado nesta quarta-feira (21) pelo Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre, o impulso das despesas primárias — que não incluem o pagamento de juros da dívida — sobre a demanda foi de aproximadamente R$ 27 bilhões entre janeiro e junho. No primeiro semestre de 2022, havia sido de R$ 58 bilhões, em valores atualizados.

O economista Bráulio Borges, autor da pesquisa com base em dados do Tesouro Nacional, avalia que essa expansão pode ser mais prejudicial ao equilíbrio econômico agora. A razão é que ocorre em uma economia que já opera aquecida, pressionando a inflação e exigindo juros mais altos.

Os números representam uma estimativa do estímulo à atividade provocado pela mudança nos gastos, considerando que diferentes tipos de despesa têm efeitos distintos sobre a economia. Não correspondem ao valor total desembolsado pelos governos.

A principal explicação para a diferença em relação a 2022 está nos estados e municípios. Há quatro anos, os governos regionais tinham receitas extraordinárias e dinheiro em caixa, o que permitiu uma expansão mais intensa das despesas. Neste ano, o estímulo foi mais modesto, com recuo dos gastos já no segundo trimestre.

Isso não significa que estados e prefeituras estejam gastando pouco. Mesmo após a queda, suas despesas permaneciam quase 30% acima do nível observado no início de 2022, descontada a inflação.

Na União, a forte alta das despesas no primeiro trimestre também perdeu força. O gasto caiu no segundo trimestre e, segundo uma estimativa ainda preliminar, voltou a recuar no terceiro, aproximando-se do patamar de meados de 2025.

Para Borges, esse movimento provavelmente reflete a antecipação de pagamentos, como precatórios, emendas parlamentares e outras despesas. Assim, a concentração de desembolsos no início do ano não se sustentou nos meses seguintes.

Embora inferior ao de 2022, o estímulo do gasto público neste primeiro semestre ficou acima do registrado em outros dois anos eleitorais: em 2014, foi de aproximadamente R$ 3 bilhões; em 2018, foi negativo em cerca de R$ 10 bilhões.

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