Próximo presidente enfrenta dívida pública em recorde e promessas sem fonte de custeio

Dívida chegou a 83% do PIB em agosto, e candidatos aprovaram R$ 300 bilhões em gastos eleitorais sem indicar como financiá-los

Próximo presidente enfrenta dívida pública em recorde e promessas sem fonte de custeio
Palácio do Planalto, sede do Executivo federal. Foto: José Cruz/ABr — Palácio do Planalto (Foto: José Cruz/ABr)

Independentemente de vencedor no segundo turno de hoje, novo presidente encontrará dívida pública em recorde e Congresso fragmentado

O próximo presidente da República terá diante de si uma série de desafios econômicos e legislativos ao subir a rampa do Palácio do Planalto em 5 de janeiro de 2027, conforme análise de especialistas.

A economia figura como o principal obstáculo comum aos dois cenários possíveis. A dívida pública alcançou 83% do PIB em agosto, e esse percentual tende a aumentar com os quase R$ 300 bilhões em gastos aprovados para 2026 e 2027. Alertas do Ministério do Planejamento indicam risco de “shutdown” de serviços governamentais.

Em caso de reeleição, Lula enfrenta dilema particular. O presidente prometeu manter o expansionismo fiscal, mas necessita corrigir a trajetória da dívida sem sofrer acusações de estelionato eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, não manteve durante o governo anterior a orientação liberal que prega, e também apresentou propostas econômicas sem indicar as fontes de financiamento. O senador planeja reviver o Perse, programa tributário que facilitou atividades de lavagem de capital.

A composição do novo Congresso Nacional apresenta dificuldades legislativas para ambos. A esquerda elegeu 124 deputados de um total de 513, quando 257 formam maioria simples e 308 compõem maioria qualificada para mudanças constitucionais. Lula, em caso de vitória, dependerá de aliança contínua com o centrão e partidos de centro como MDB e PSD, com distribuição de ministérios. A estratégia não evitou tensões, como ocorreu com a votação do IOF em 2025, quando mais de 70% dos aliados votaram contra o governo.

Flávio Bolsonaro conta com 121 deputados do PL na Câmara, insuficiente para governar sozinho, especialmente se pretende alterar a Constituição. No Senado, sua bancada controla 28 das 81 cadeiras, cenário mais confortável, mas que ainda exigirá negociações com centrão e partidos de centro.

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