Percentual que avalia a mudança como ótima ou boa caiu de 68% para 59% entre março e outubro, mostra pesquisa do instituto.

Pesquisa Datafolha mostra redução no percentual de brasileiros que consideram ótima ou boa a adoção da escala 5×2, caindo de 68% para 59%.
Pesquisa do Datafolha mostra redução no percentual de brasileiros que consideram ótima ou boa a adoção da escala 5×2 para suas vidas. O levantamento registrou queda de 68% para 59% entre coletas de 3 a 5 de março e nos dias 20, 21 e 22 de outubro.
Proporcionalamente, aumentaram os que avaliam a mudança como negativa. Esse percentual subiu de 14% para 19%. Aqueles que consideram regular a mudança passaram de 14% para 18%.
O instituto entrevistou 2.520 pessoas de 16 anos ou mais distribuídas em 154 municípios pelo Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
Segundo o Datafolha, a resistência à medida é particularmente forte entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). O pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, atribui a redução na avaliação positiva principalmente a um alinhamento político-eleitoral.
“O Flávio votou a favor do fim da escala 6×1, mas passou a maior parte do tempo sendo crítico a essa pauta.”
Para Duque, há percepção geral de que as empresas lucram acima do necessário com a escala 6×1 e que, ao acabar com ela, absorverão os custos sem gerar consequências negativas aos trabalhadores.
O economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, aponta que a população começou a entender melhor os efeitos da redução de horas trabalhadas após a promulgação da PEC no dia 16 de outubro. Segundo ele, trabalhadores de setores mais afetados podem ter percebido o impacto direto da mudança em suas vidas.
“É uma escolha social bem-vinda e que está em linha com outros países, como Colômbia, Chile e México, que já promoveram redução nas horas trabalhadas nos últimos anos, à medida que as tecnologias avançam. Mas, ao mesmo tempo, existe a percepção de que toda escolha gera custos, que começam a ser avaliados de maneira mais próxima na vida das pessoas.”
A PEC aprovada também prevê redução da jornada semanal máxima de 44 horas para 40 horas.



