Campanha petista explorou suspeitas e histórico do governo Bolsonaro no segundo turno, mobilizando eleitores contra candidato do PL

Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Campanha petista concentrou críticas às investigações e ao governo anterior.
A estratégia de campanha de Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais concentrou-se em explorar as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a falta de respostas detalhadas do senador sobre suas propostas de governo.
O candidato do PL saiu do primeiro turno com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista, reforçando a confiança de seus aliados de que bastaria administrar a dianteira para chegar ao Palácio do Planalto. A campanha bolsonarista apostava que o discurso de futuro, em contraposição ao que chamava de atraso de Lula, seria suficiente para vencer sem prestar maiores esclarecimentos sobre as investigações que envolvem o candidato.
O chamado “marketing do medo” da campanha petista não apenas explorou as suspeitas envolvendo Flávio, mas reforçou a lembrança do governo Jair Bolsonaro, incluindo o número de mortos durante a pandemia da Covid-19.
Logo após o primeiro turno, Flávio acendeu um alerta ao defender mudanças na Constituição de 1988 para “redemocratizar” o país. A declaração ganhou repercussão por partir do filho de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, especialmente considerando a força do PL no Congresso, que terá 121 deputados e 28 senadores a partir de 2027.
Pressionado, o senador disse que pretendia fazer alterações pontuais, como mudanças no Judiciário, na maioridade penal e no fim da reeleição.
O antibolsonarismo acabou sendo o combustível para a mobilização que levou multidões às ruas no segundo turno e ajudou a garantir a vitória ao petista, que completa 81 anos nesta terça-feira (27), para seu quarto mandato.
Lula passou de 53,9 milhões para 64,3 milhões de votos, um acréscimo de aproximadamente 10,4 milhões. Flávio também ampliou sua votação, mas em proporção menor, saindo de 56,1 milhões para 59,8 milhões, crescimento de 3,7 milhões.
A vantagem de 2,2 milhões de votos do senador se transformou em uma diferença de 4,4 milhões a favor de Lula, que venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.
Em Minas Gerais, o presidente reverteu a derrota do primeiro turno. Em São Paulo, a vantagem do candidato do PL caiu de 3,4 milhões para aproximadamente 2 milhões de votos.



