Senador partiu com esposa e filhas após derrota eleitoral; aliados o criticam reservadamente.

Senador Flávio Bolsonaro partiu para os EUA com família após derrota nas eleições. Analista aponta que saída fragiliza imagem da família Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) partiu para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas após sua derrota nas eleições, conforme informaram aliados à CNN Brasil. Integrantes do entorno do candidato derrotado afirmaram reservadamente não compreender a decisão.
“Inaceitável” foi a classificação usada por um dos aliados ao comentar a saída do senador. O movimento despertou críticas entre lideranças de direita que já buscavam reorganizar a oposição para o chamado “governo Lula 4”.
O analista de Política Caio Junqueira, em análise ao CNN Prime Time, afirmou que a saída do senador Flávio Bolsonaro fragiliza não apenas sua própria imagem, mas também a da família Bolsonaro como um todo. Segundo ele, a percepção sobre a necessidade de reorganização da direita sem um Bolsonaro como candidato presidencial vinha sendo sinalizada desde o domingo (25) da derrota eleitoral.
“A saída do Flávio acaba reforçando esse movimento que a gente já vinha identificando depois de domingo à noite”, afirmou o analista.
Com Flávio fora do cenário político, Caio Junqueira avaliou o que resta da família Bolsonaro na política. Michelle Bolsonaro (PL-DF), eleita para o Senado, é reconhecida como liderança em segmentos evangélico e feminino e chegou a ser cotada para a presidência, mas “por si só ela não consegue levar adiante essa ideia”, segundo o analista. Carlos Bolsonaro (PL), também eleito para o Senado, tampouco teria capacidade de mobilização partidária intensa.
Jair Renan (PL) foi eleito deputado federal. Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, viu as chances de obter liberdade se dificultarem bastante após o resultado eleitoral, inclusive por meio de revisão criminal protocolada junto ao ministro Kassio Nunes Marques.
O analista também mencionou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos. Segundo Caio Junqueira, fazer política estando distante, como Eduardo está, é particularmente desafiador. Com a saída de Flávio e seus aproximadamente 60 milhões de votos fora do tabuleiro, o caminho fica pavimentado para que a direita se reorganize com o eleitorado bolsonarista, mas sem uma liderança bolsonarista para puxar o movimento.



