Alcolumbre retira PEC da Segurança de pauta por falta de consenso entre senadores

Relator Rogério Carvalho aponta "malabarismos" em negociações sobre emendas ao texto original da proposta

Alcolumbre retira PEC da Segurança de pauta por falta de consenso entre senadores
Senador Rogério Carvalho (PT-SE). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado — Foto: Senador Rogério Carvalho (PT-SE)  • Waldemir Barreto/Agência Senado

Presidente do Senado retira PEC da pauta nesta quinta-feira (15) após impasse sobre redução da maioridade penal e falta de acordo entre parlamentares.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública da pauta nesta quinta-feira (15). A decisão ocorreu por iniciativa própria, conforme comunicou em plenário.

O relator da proposta, senador Rogério Carvalho (PT-SE), avaliou que a retirada de pauta reflete desorganização e falta de consenso sobre o tema entre os parlamentares. Carvalho informou que a matéria não foi à votação por falta de entendimento e em razão de “malabarismos” realizados durante as negociações por apoio ao texto.

Segundo Carvalho, não houve pressão ou interferência do Palácio do Planalto, mas a situação ficou insustentável à medida que avançavam as tratativas sobre emendas ao texto original.

“Eu vou retirar de pauta a PEC da segurança pública. Nós vamos aguardar os entendimentos das senadoras e senadores sobre o texto porque agora estou sendo o culpado de emendas que foram apresentadas, de que vai alterar o texto e vai voltar pra Câmara, e que não pode ser uma decisão açodada”, afirmou Alcolumbre em plenário.

A controvérsia central envolve a redução da maioridade penal. O coordenador de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, senador Camilo Santana (PT-CE), apresentou uma emenda para reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal em crimes graves. A medida foi apresentada em resposta a uma emenda semelhante da oposição.

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, havia apresentado uma emenda à PEC que propunha redução ainda mais acentuada da maioridade penal, com mínimo de 14 anos para crimes hediondos e 16 anos para crimes em geral.

Havia receio por parte do governo de que a oposição conseguisse os votos necessários para votar a emenda em separado, de forma que tal “objeto estranho” fizesse parte do projeto do Executivo. A medida abriu racha no Partido dos Trabalhistas, com parte dos governistas contrária à proposta.

Um dos principais motivos da resistência é que qualquer modificação no texto faria com que a proposta retornasse para nova análise na Câmara dos Deputados. O governo buscava priorizar a aprovação da PEC nos termos originalmente propostos. A proposta está parada há meses no Senado e representa forte apelo eleitoral ao governo de Lula.

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