Alta dos combustíveis avança por cadeias de produtos químicos, plásticos e fertilizantes, ampliando pressão inflacionária além dos preços diretos

O choque do petróleo avançou pela economia além dos combustíveis, atingindo cadeias de produtos químicos, plásticos e fertilizantes, conforme apontado pelo Banco Central nesta sexta-feira (25).
O Banco Central identificou nesta sexta-feira (25) como o choque do petróleo se disseminou pela economia além dos combustíveis, atingindo cadeias de produtos químicos, plásticos e fertilizantes, e alterando expectativas de inflação.
Entre janeiro e agosto, enquanto o Brent avançou US$ 23 por barril, a gasolina subiu US$ 58 e o diesel, US$ 80 no mercado americano. No Brasil, a gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,78 por litro, enquanto o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 7,45. Esses combustíveis acrescentaram 0,42 ponto percentual à inflação entre março e abril.
Segundo o BC, as medidas de desoneração e subvenção adotadas pelo governo ajudaram a amortecer e moderar parte da alta, mas não impediram que o choque chegasse ao consumidor. O querosene de aviação praticamente dobrou, enquanto produtos químicos, resinas e elastômeros subiram 19%; plásticos e fibras sintéticas, 18%; e fertilizantes, 11%.
A parcela das indústrias que aponta custo ou falta de matérias-primas como um dos principais problemas passou de 17,3% no fim de 2025 para 31,2% no segundo trimestre deste ano. O diesel exemplifica como os efeitos indiretos superam os percebidos inicialmente: tem pouco peso direto no IPCA, mas entra nos custos de transporte, agricultura e várias atividades produtivas.
Segundo o BC, uma alta de 10% no preço do diesel ao distribuidor teria efeito direto de apenas 0,02 ponto percentual, mas o impacto total sobre o consumo das famílias poderia chegar perto de 0,2 ponto — dez vezes mais. Parte dessa pressão ainda não chegou aos preços finais, pois os repasses percorrem cadeias longas e podem levar meses, com uma parcela do aumento dos custos sendo absorvida pelas margens das empresas. O BC aponta que há um limite para quanto tempo as empresas conseguirão sustentar esse movimento sem elevar seus preços, além do limite fiscal das desonerações e subvenções governamentais.



