Diretor de Política Monetária afirma que cautela é essencial. Taxa básica foi cortada pela quinta vez consecutiva, a 13,75% ao ano.

Diretor do BC defende política monetária previsível e cautelosa diante de incertezas econômicas. Taxa de juros segue em patamar contracionista.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (24) que a política monetária deve atuar com previsibilidade e adotar movimentos suaves e cautelosos em momentos de incerteza econômica, minimizando oscilações.
David destacou que o BC está promovendo um ciclo de “calibração”, não de flexibilização monetária, classificado como um “ajuste fino”. Segundo ele, os juros seguirão em patamar contracionista ao fim desse processo.
“A prescrição para quando você tem um ambiente desses é fazer movimentos suaves e previsíveis. É como se estivesse dirigindo numa estrada com neve e neblina, você tem que diminuir a velocidade, manter movimentos bastante cirúrgicos”, afirmou David durante evento do banco J.Safra, citando apresentação feita em maio pelo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti.
“A prescrição é sempre fazer uma política monetária de forma mais suave, cautelosa e bastante atenta, minimizando solavancos”, acrescentou.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou na semana anterior a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva, chegando a 13,75% ao ano. O colegiado deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o cenário de incerteza demanda cautela.
Na apresentação desta quarta-feira, a primeira após o fim do período de silêncio dos diretores da autarquia após a reunião do Copom, David apontou sinais de arrefecimento da inflação, inclusive em itens mais cíclicos, que tendem a responder mais diretamente aos juros. O diretor informou que a política monetária tem surtido efeito.
David também mencionou desaceleração no ritmo de crescimento dos salários de trabalhadores, ainda que em níveis acima da inflação e da produtividade do país. Ele ressaltou que o BC não trabalha com um alvo para o crescimento da atividade, e sim uma meta de inflação, mas ponderou que é preciso levar o Produto Interno Bruto para patamar próximo ao seu potencial para que não haja pressão inflacionária.
O diretor afirmou que o fenômeno El Niño e a guerra no Oriente Médio aumentaram a incerteza e demandam uma política monetária cuidadosa e cautelosa.



