Banco Central reduz Selic para 13,75%, mas investir no Brasil segue caro

Títulos americanos em alta de 5% reduzem competitividade do país aos olhos de investidores internacionais, alerta analista

Banco Central reduz Selic para 13,75%, mas investir no Brasil segue caro
Analista avalia cenário paradoxal entre políticas monetárias do Brasil e EUA. Foto: EUA e China prorrogam Acordo de Busan até janeiro — Foto: EUA e China prorrogam "Acordo de Busan" até janeiro, diz Bessent

Selic cai para 13,75% após decisão do Copom, mas especialista aponta que custos de investimento no Brasil permanecem elevados diante de juros americanos

O Banco Central cortou a taxa básica de juros na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), levando a Selic para 13,75%. O Boletim Focus passou a estimar ainda mais uma redução de 0,25 ponto percentual neste ano.

Apesar desses movimentos, analista avaliou que investir no Brasil continua caro. Em análise divulgada pela CNN Money diretamente de Nova York, onde acompanha a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), a especialista destacou o cenário paradoxal entre as políticas monetárias do Brasil e dos Estados Unidos. Ela relembrou que os títulos de longo prazo norte-americanos caminham na direção de 5%, o que reduz a competitividade relativa do Brasil aos olhos do investidor internacional.

A ata divulgada pelo Copom foi classificada como “neutra”, sem sinalização clara sobre a continuidade da trajetória de queda dos juros. “Ela disse que vamos manter aqui, não ficou muito claro se a tendência de queda vai ser mantida”, observou a analista. Para ela, essa postura reflete a cautela diante do movimento oposto adotado pelo Federal Reserve.

Do ponto de vista empresarial, o cenário preocupa: “a taxa de juros aumenta, a taxa do crédito aumenta, a dificuldade de gestão do nosso capital cresce porque o custo de capital aumenta”, alertou. A escalada nos custos de capital afeta a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

Além do tema dos juros, a especialista trouxe um alerta sobre a crise global de fertilizantes, que se destacou como assunto crítico nas reuniões de negócios à margem da Assembleia Geral da ONU. O enxofre, insumo essencial para a produção de fertilizantes e que passa pelo Estreito de Ormuz, teve seu preço elevado de aproximadamente US$ 525 por tonelada para mais de US$ 1.200. “Uma alta de mais de 129% que não está nada perto de se recuperar”, ressaltou a analista.

Empresas que realizavam produções adicionais ou contavam com produção local estão interrompendo suas atividades diante da dificuldade de acesso ao insumo. A analista lembrou que os efeitos da crise atual só serão plenamente sentidos nos próximos seis a doze meses. “O fechamento de hoje vai refletir nos próximos seis a doze meses”, afirmou. O Brasil, que importa quase 90% dos fertilizantes que utiliza, está particularmente vulnerável a esse cenário.

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