Vendas do agronegócio crescem 9,45% até agosto, mas dependência de insumos externos ameaça competitividade de longo prazo

Exportações do agronegócio crescem 9,45% em oito meses, mas importação de fertilizantes limita expansão estrutural
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 57,85 bilhões entre janeiro e agosto, alta de 9,45% ante igual período de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O crescimento coincide com volatilidade no mercado global de alimentos. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou que o Índice de Preços de Alimentos subiu para 133,3 pontos em agosto, avanço de 1,9% ante julho. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) alertou para probabilidade superior a 90% de consolidação de um El Niño de forte intensidade nos últimos meses de 2026.
Em paralelo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de grãos em 361,7 milhões de toneladas. O Brasil é líder mundial em produção e exportação de soja, açúcar, café, suco de laranja e carne bovina, posição que resulta de ganhos contínuos de produtividade, consolidação da segunda safra e integração entre lavoura e pecuária, conforme avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Segundo o Itaú BBA, quando há escassez de oferta em algum lugar do mundo, a demanda se volta para o Brasil. Eventos climáticos externos podem antecipar embarques em janelas específicas, mas não explicam participações dessa magnitude no mercado internacional.
O desafio estrutural para o setor é transformar essa liderança produtiva em vantagem permanente. A dependência de cerca de 85% de fertilizantes importados segue como limitador de longo prazo para a expansão da margem competitiva brasileira no agronegócio global.





