Para autor, discernimento individual, não normas estatais, deve orientar escolha do voto e credibilidade da imprensa

Colunista argumenta que pesquisas de intenção de voto nunca foram o real problema nas eleições e defende o discernimento individual
Um colunista defende que a autonomia do eleitor, e não regulações estatais, deve ser o mecanismo para garantir escolhas independentes nas eleições.
Segundo o autor, as pesquisas de intenção de voto nunca foram o verdadeiro problema eleitoral. Ele critica propostas anteriores de proibir pesquisas próximo das eleições, restringir avaliações fora de períodos de campanha ou regular os vínculos mercadológicos dos institutos, argumentando que nenhuma dessas medidas resolveria o problema concentrado “numa lugar só: a cabeça do eleitor”.
O colunista aponta que a solução para a questão da escolha eleitoral independente é o discernimento do indivíduo, assim como ocorre com as questões relativas à credibilidade da imprensa. Ele observa que a sociedade atual vive “a era do policiamento das consciências”, onde a censura prévia ganhou argumentação de defesa democrática sob o pretexto de proteger as sociedades das “ondas de ódio” e “desinformação”.
O autor critica o que denomina “modelo de Estado-babá do cidadão”, descrevendo essa “semente autoritária” como raiz da maioria dos problemas de comunicação contemporâneos. Menciona que a imprensa contribuiu para esse cenário ao defender o que chama de “narrativa antiestatal”, descrita como forma de estigmatizar o exercício livre da crítica ao poder.
Segundo o colunista, nenhum disciplinamento de pesquisas de intenção de voto eliminará tendências ou distorções. O histórico de desencontros frequentes entre pesquisas e resultados eleitorais já seria suficiente para relativizar as projeções. Ele questiona se essa relativização deve partir do Estado, de normas eleitorais ou de agências de checagem, respondendo negativamente e apontando que deve partir “do próprio eleitor, numa conversa franca consigo mesmo”.
Como exemplo atual, o autor cita a razoável variedade de projeções para a diferença de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro, argumentando ser suficiente para demonstrar que “pesquisa não é profecia”.





