José Eduardo Cardozo e Ana Amélia Lemos analisaram impacto de revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e Lulinha a duas semanas do primeiro turno

Debate na CNN analisou se revelações sobre Flávio Bolsonaro e Lulinha afetam decisão de voto a duas semanas do primeiro turno das eleições.
O comentarista José Eduardo Cardozo e a jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos debateram, na quinta-feira (24), em O Grande Debate, se o eleitor ainda se preocupa com escândalos dos candidatos. A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, novas revelações movimentaram o cenário político brasileiro.
De um lado, informações ligam Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro, com quem o candidato e sua família teriam viajado em jato particular. Do outro, mensagens atribuídas a uma lobista citam supostos pagamentos relacionados a Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ana Amélia Lemos avaliou que a recorrência de escândalos no Brasil tornou o fenômeno algo corriqueiro para o eleitor. Segundo ela, “está tão comum no Brasil, lamentavelmente, um escândalo a cada hora ou a cada dia”. Para a ex-senadora, o fato de ambos os lados estarem envolvidos em notícias negativas tende a neutralizar o impacto de cada revelação individualmente.
Para a maioria do eleitorado que já tem sua escolha consolidada, esses episódios “praticamente não vão contaminar” a decisão de voto, afirmou Ana Amélia. Ela ponderou, porém, que pequenas oscilações nas pesquisas eleitorais podem ocorrer em função do impacto momentâneo de cada escândalo. “O resultado final do primeiro turno vai ser exatamente uma caixinha de surpresas”, disse, reconhecendo a imprevisibilidade do comportamento do eleitor nos dias que antecedem a votação.
José Eduardo Cardozo adotou perspectiva mais analítica, recusando a ideia de tratar o eleitor como massa homogênea. Segundo ele, há um grupo de eleitores que já está “blocado” — votará em determinado candidato independentemente do que aconteça —, seja por afinidade ideológica, seja por aversão ao adversário. “Isso é uma blocagem, diria que é imutável”, afirmou.
Cardozo destacou, porém, que existe um segmento de eleitores ainda suscetível a mudanças, embora esse grupo também seja influenciado por vieses cognitivos e passionais. “O eleitor não é uma máquina racional”, disse. “Há estudos que mostram que, muitas vezes, o voto se define mais pela paixão do que pela razão.”
O comentarista fez distinção entre os dois escândalos em pauta: enquanto um atinge diretamente o candidato, o outro envolve um familiar.



