Pesquisadores desenvolvem contraste de ressonância magnética que diagnostica e trata fibrose cardíaca

Composto à base de ferro encapsulado em proteína se acumula no tecido danificado e mostra ser mais seguro que o gadolínio em testes

Pesquisadores desenvolvem contraste de ressonância magnética que diagnostica e trata fibrose cardíaca
Ressonância magnética permite visualização detalhada de tecidos internos. Foto: Pixabay/OsloMetX

Novo contraste à base de ferro para ressonância magnética pode diagnosticar e frear a fibrose cardíaca simultaneamente

Um novo contraste para ressonância magnética à base de ferro pode diagnosticar e tratar a fibrose cardíaca simultaneamente. A substância se acumula no tecido danificado do coração, ilumina a área afetada no exame de imagem e reduz o avanço da doença.

O composto é formado por minúsculos aglomerados de átomos de ferro encapsulados em uma proteína desenvolvida especialmente para essa função. Em testes com tecido cardíaco humano cultivado em laboratório, o contraste mostrou ser mais seguro que o gadolínio, metal usado atualmente na maioria dos exames de ressonância com contraste.

A fibrose cardíaca é uma das principais causas de insuficiência cardíaca, condição que afeta milhões de pessoas no mundo. Quando o coração sofre uma lesão ou fica sob pressão constante, como após um infarto ou por causa de hipertensão, o corpo inicia um processo de reparo semelhante à cicatrização de um corte na pele. O colágeno começa a ser produzido para fortalecer o tecido.

O problema é que esse processo muitas vezes não para. O colágeno continua se acumulando, o coração fica rígido e tem cada vez mais dificuldade para encher e bombear o sangue adequadamente.

A ressonância magnética é uma das técnicas usadas para diagnosticar a fibrose cardíaca. Em muitos casos, o paciente recebe um contraste intravenoso à base de gadolínio, que se concentra nas áreas danificadas e as faz brilhar na imagem. Embora funcione bem, o gadolínio apresenta desvantagens: é um metal estranho ao organismo, seu uso é restrito em pessoas com insuficiência renal e pequenas quantidades podem ficar retidas em diferentes tecidos por muitos anos. Isso preocupa especialmente em pacientes que precisam repetir exames para acompanhar a evolução da doença.

Pesquisadores tentam há anos desenvolver contrastes à base de ferro, metal que o corpo conhece e sabe eliminar. O problema é que os contrastes de ferro existentes escurecem a área danificada em vez de iluminá-la, dificultando a distinção nas imagens. O grupo liderado pela professora Aitziber L. Cortajarena, do CIC biomaGUNE, na Espanha, conseguiu superar esse obstáculo usando proteínas projetadas sob medida.

O contraste consiste em uma proteína que encapsula e isola aglomerados minúsculos de átomos de ferro, com cerca de 1,4 nanômetro de diâmetro, aproximadamente 50 mil vezes mais finos que um fio de cabelo. O composto é mais seguro para o organismo, estável e libera muito pouco ferro.

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