Manifestações na França, Bélgica, Itália e Albânia deixam 400 detidos; organizadores estimam 800 mil participantes

Protestos marcados por violência ocorrem simultaneamente em países europeus. Na França, atos concentram confrontos mais graves com saques e incêndios.
A Europa enfrenta uma nova onda de protestos neste sábado (17), com manifestações marcadas por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, incêndios, depredação e saques em diferentes países.
Na França, os protestos contra o custo de vida ganharam dimensão nacional e podem representar uma retomada do movimento dos Coletes Amarelos, que mobilizou o país em 2018 e 2019. Os atos foram convocados sob o lema “Amarelos e Jovens” e reuniram estudantes e integrantes de diferentes categorias profissionais. Paris, Marselha, Lyon, Lens e Saint-Étienne estiveram entre as cidades que receberam manifestações. De acordo com os organizadores, 800 mil pessoas participaram, enquanto as autoridades contabilizaram 550 mil. Cerca de 1,5 mil atos estavam previstos para o sábado.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades francesas, grupos de pessoas mascaradas atacaram policiais, incendiaram mobiliário urbano e veículos, tentaram saquear estabelecimentos comerciais e danificaram prédios públicos. Em Lyon, um posto de informações turísticas foi incendiado. Em Marselha e Lille, manifestantes invadiram sedes de prefeituras e vandalizaram instalações. Em Paris, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar pessoas encapuzadas que lançavam fogos de artifício e objetos contra os agentes.
Dezenas de lojas foram saqueadas em diferentes cidades, incluindo uma unidade da Hermès em Marselha e uma loja da Apple em Lille. Aproximadamente 400 pessoas foram detidas conforme as autoridades francesas.
Em Portugal, milhares de pessoas protestaram em Lisboa contra o encarecimento da moradia e do custo de vida. Entre as principais reclamações dos manifestantes estão aumento excessivo dos preços, dificuldade de acesso à habitação, condições do sistema educacional e insatisfação com políticas públicas. Estudantes, sindicatos, agricultores, professores, aposentados, ativistas climáticos e movimentos políticos, sobretudo de esquerda, participam das mobilizações.
As novas manifestações francesas ocorrem a cerca de seis meses da eleição presidencial que definirá o sucessor de Emmanuel Macron.



