Ex-secretário de Goiânia é preso 15 dias após depósito a filho de Lula

Quesede Ayres foi detido duas vezes por desvios superiores a R$ 10 milhões na Saúde municipal, segundo investigações da Polícia Federal

Ex-secretário de Goiânia é preso 15 dias após depósito a filho de Lula
Investigações apontam ligações entre desvios e lobista. Foto: Em gravação, ex-diretor da Fazenda fala em 'rateio' de esquema de propina — Foto: Em gravação, ex-diretor da Fazenda fala em “rateio” de esquema de propina

Ex-secretário-executivo da Secretaria de Saúde de Goiânia foi preso em novembro de 2024, 15 dias após fazer repasse de R$ 100 mil

O ex-secretário-executivo da Secretaria de Saúde de Goiânia, Quesede Ayres, foi preso no dia 27 de novembro de 2024, 15 dias após efetuar um depósito de R$ 100 mil que, conforme investigações da Polícia Federal, seria destinado a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A prisão ocorreu em investigação sobre supostos desvios de recursos públicos na pasta de Saúde municipal.

Segundo conversas às quais a imprensa teve acesso, a lobista Roberta Luchsinger enviou mensagem a Ayres no dia 11 de novembro de 2024 cobrando o pagamento. Na comunicação, Luchsinger afirmava que “o homem está cobrando, iria embarcar e estava enchendo o saco atrás do montante”. No mesmo dia, Lulinha embarcou em Guarulhos com destino a Lisboa, conforme os registros consultados.

De acordo com o Ministério Público de Goiás (MP-GO), Ayres foi preso pela primeira vez por investigação de vantagens indevidas em contratos, desrespeito à ordem cronológica de pagamentos e prejuízos ao erário público. Ele foi solto dias depois.

Em dezembro de 2024, o ex-secretário voltou a ser detido, desta vez por suposto desvio de mais de R$ 10 milhões na Secretaria de Saúde de Goiânia, após dois dias em condição de foragido. Permaneceu na prisão por cinco dias antes de ser liberado.

Como consequência das irregularidades apontadas, o Tribunal de Justiça de Goiás decretou, em dezembro de 2024, a intervenção do Estado na gestão da saúde municipal de Goiânia. A defesa de Quesede Ayres foi procurada para comentar o caso, mas não retornou.

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