Flávio Bolsonaro contradiz expectativas de ajuste fiscal mas mantém apoio do mercado

Investidores apostam em maior probabilidade de mudança econômica com candidato do PL do que com continuidade Lula

Flávio Bolsonaro contradiz expectativas de ajuste fiscal mas mantém apoio do mercado
Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Carlos Moura/Agência Senado — Foto: Flávio Bolsonaro (PL)  • 10/06/2026 – Carlos Moura/Agência Senado

Mesmo com posições contrárias ao ajuste fiscal esperado, parte dos investidores mantém aposta em candidato associado a mudanças na política econômica.

Flávio Bolsonaro (PL) tem contrariado o que o mercado financeiro esperaria ouvir de um candidato associado à promessa de ajuste fiscal. Mesmo assim, boa parte dos investidores parece não ter soltado a mão dele.

Em declarações no fim de semana, Flávio defendeu reajustes do salário mínimo acima da inflação, rejeitou a desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao piso e descartou mudar a Constituição para eliminar os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação. Também afirmou que não pretende rever o fim da escala 6×1.

As primeiras posições preservam regras que pressionam ou tornam mais rígido o Orçamento; a última contraria a expectativa de maior flexibilidade nas relações de trabalho. Essas contradições provocam dúvidas, mas ainda não derrubaram a aposta de que seu eventual governo ofereceria uma chance maior de mudança na política econômica do que uma nova gestão Lula.

Nas conversas com agentes do mercado, o que fica claro é um cálculo de probabilidades. Uma vitória de Flávio não representa certeza de um ajuste fiscal. Mas nesse cenário existe uma chance maior de mudança do que com Lula. Essa perspectiva ainda justifica ativos brasileiros mais valorizados.

Segundo fonte ouvida sob reserva, não é possível ficar na frente do rali. Na linguagem do mercado, significa que apostar contra esse movimento de alta pode sair caro. Mais do que um voto de confiança no candidato, há uma oportunidade que esses investidores não querem perder.

Se a perspectiva de troca de governo alimentar uma valorização da bolsa e uma queda dos juros futuros, o movimento pode gerar ganhos bem antes de qualquer decisão sobre gastos públicos. Isso ajuda a entender por que o otimismo convive com tantas ressalvas.

Ao ser questionado sobre a segurança de que Flávio entregaria o ajuste esperado, um dos interlocutores respondeu que não, mas que pelo menos há uma chance. Na avaliação dessa fonte, Lula não oferece a mesma perspectiva.

A continuidade do rali — que foi pausado na segunda-feira (19) — depende agora do efeito das declarações dos candidatos sobre as pesquisas. E, mais para frente, da confirmação de quem integrará a equipe econômica do próximo governo, mais precisamente de quem será o ministro da Fazenda. A composição favorável a Flávio no Congresso dá mais força a essa análise, mas ela só será vista como um trunfo se o ministro da Fazenda for de fato capaz de implementar mudanças.

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