Senador disse que irmão, que vive nos EUA, faz trabalho internacional, mas não ocupará ministério das Relações Exteriores

O senador disse na TV Globo que seu irmão não será chanceler, apesar de construir relacionamento com líderes conservadores.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) descartou, na noite de sexta-feira (16), que seu irmão Eduardo Bolsonaro seja chanceler em eventual governo seu, caso vença o segundo turno das eleições deste ano.
Em entrevista à TV Globo, Flávio afirmou que Eduardo não assumirá o ministério das Relações Exteriores. “Não, ele não vai ser chanceler. O Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. Algum dia a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia do nosso país.”
Flávio reconheceu, porém, o trabalho de Eduardo na articulação internacional. “O Eduardo faz sim um trabalho brilhante, construiu ao longo de mais de 10 anos um relacionamento internacional com vários líderes políticos conservadores, mas a questão de ser chanceler, ministro das relações exteriores aqui no Brasil é um outro assunto.”
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o ano passado e atua como interlocutor entre a família Bolsonaro e as autoridades americanas. Em julho deste ano, o governo dos EUA concedeu green card ao ex-deputado, garantindo sua permanência por prazo indeterminado em solo americano.
A condenação do ex-parlamentar pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal ocorreu em junho de 2025. O colegiado condenou-o a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo, praticado de forma continuada. Segundo a Corte, Eduardo atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes do STF e tentar interferir nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com objetivo de beneficiar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão do STF também impôs multa de 50 dias-multa, equivalendo a aproximadamente R$ 162 mil, suspensão dos direitos políticos e cancelamento do passaporte de Eduardo. Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena. Conforme informações divulgadas, a Polícia Federal avalia solicitar a extradição de Eduardo aos Estados Unidos, que o considera procurado pelas autoridades brasileiras.



