Candidato do PL afirma que Brasil tem mais de 30 mil imóveis com avaliação desatualizada de R$ 1,7 trilhão que poderiam ser gestados e securitizados

O candidato à Presidência disse que proposta pode gerar R$ 200 bilhões de receita nova e integra plano de corte de R$ 300 bilhões em gastos.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16) que o Brasil tem mais de 30 mil imóveis que podem ser colocados em um fundo de gestão e securitizados para auxiliar no pagamento das dívidas da União.
“O Brasil tem mais de 30 mil imóveis, grande parte deles estão abandonados, a gente vai pegar esses imóveis, colocar num fundo de gestão. A avaliação desses imóveis, que está desatualizada, beira R$ 1,7 trilhão. Isso pode ser colocado num fundo que pode ser securitizado e já conseguimos aí, em função da situação que estão os imóveis, cerca de R$ 200 bilhões de receita nova que hoje nós não temos”, afirmou em entrevista à TV Globo.
Bolsonaro também propôs o aproveitamento das dívidas que a União tem a receber como fonte adicional de arrecadação através da securitização. Conforme o candidato, esse mecanismo poderia trazer outros R$ 200 bilhões anuais para o orçamento.
“Se a gente pegar os quase R$ 3 trilhões de dívidas que a União tem a receber, isso também pode ser securitizado, trazemos mais R$ 200 bilhões de receita para o nosso orçamento por ano. É possível alcançar essa cifra”, explicou.
O candidato do PL apontou ainda a necessidade de combater despesas estruturais do governo. Defendeu a redução do número de ministérios, de 39 para pelo menos 29, além de mencionar a necessidade de combater “corrupção e má gestão” nas empresas estatais.
A proposta de Bolsonaro integra um plano maior de seu time econômico, que trabalha com uma espécie de “PEC da Transição” com corte de gastos na ordem de R$ 300 bilhões. Esse valor é tratado entre os interlocutores do candidato como um “número mágico” para estabilizar a dívida pública, atualmente em 82% do PIB.
A estratégia representaria o oposto da “PEC da Transição” apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva após sua vitória eleitoral em 2022, quando o presidente então eleito acordou com o Congresso uma proposta para gastar cerca de R$ 270 bilhões adicionais.
O presidente e candidato à reeleição Lula (PT) tem criticado propostas de corte de gastos na campanha, argumentando que tais medidas prejudicam trabalhadores. No dia 8 de outubro, o petista pediu que a população “fique preocupada” quando candidatos prometerem cortes orçamentários.



