Governo anuncia cinco medidas para MEIs com perdão de dívidas e fim de nota fiscal

Especialista reconhece pauta legítima mas critica timing do perdão de 100% após renegociação com desconto de 70% em julho

Governo anuncia cinco medidas para MEIs com perdão de dívidas e fim de nota fiscal
Governo propõe perdoar R$ 12 bi de dívidas e lança "Desenrola" para MEIs

Federal anuncia pacote com perdão tributário e dispensa de nota fiscal para microempreendedores. Especialista avalia impacto de R$ 26 bilhões até 2030.

O governo federal anunciou cinco medidas voltadas aos microempreendedores individuais, que incluem perdão de dívidas tributárias e fim da obrigatoriedade de emissão de nota fiscal nas vendas para pessoas físicas.

Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, reconheceu que a pauta do MEI era legítima. Segundo ele, o teto de faturamento está parado em R$ 81 mil desde 2018 e a inflação já corroeu mais de um terço desse valor.

No entanto, o especialista apontou um problema no timing do anúncio. “Em julho, o governo abriu uma renegociação com até 70% de desconto para essas mesmas dívidas. Três meses depois, propõe perdão de 100%. Quem pagou ou parcelou fica com a sensação de que fez papel de bobo, e o próximo devedor aprende a esperar a anistia”, afirmou.

Trotta também relativizou o impacto fiscal do perdão, lembrando que a Procuradoria da Fazenda esperava recuperar apenas cerca de 10% dessa dívida. Segundo ele, o custo real é bem menor do que os R$ 12,6 bilhões divulgados pelo governo.

Somando todas as medidas do pacote, o especialista estimou um impacto de aproximadamente R$ 26 bilhões até 2030, o que, de forma isolada, não desequilibraria as contas públicas.

Para Trotta, o ponto mais relevante para o crescimento dos microempreendedores vai além das medidas anunciadas. “O melhor programa para o MEI é juros mais baixos. E juros mais baixos dependem justamente de conta pública ajustada”, afirmou. O especialista alertou que medidas sucessivas de gastos, muitas delas com impacto previsto apenas a partir de 2027, acabam se refletindo nos juros futuros. “Juro alto é quem paga primeiro é o pequeno empreendedor”, ressaltou.

Entre os aspectos positivos do pacote, Trotta destacou a dispensa da emissão de nota fiscal para os chamados nanoempreendedores — aqueles que faturam até R$ 40 mil por ano. “Isso acaba facilitando a vida do microempreendedor, ele tem uma certa flexibilidade de não ter esse custo relacionado à nota. É um tipo de simplificação que, de fato, facilita a vida do pequeno empreendedor e possui um custo fiscal baixíssimo”, avaliou.

Em relação à proposta de transferência de até R$ 5 mil via PIX para MEIs — medida que ainda será enviada ao Congresso —, o especialista foi mais cauteloso. Segundo Trotta, a iniciativa “pode funcionar, mas é muito importante que tenha critério e acompanhamento. Sem isso, ela vira uma transferência com o risco de não atingir o público-alvo”.

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