Mercado reprecifica ativos com valorização do real próxima a 5% e queda agressiva dos juros futuros para 2026.

Ibovespa renovou seu recorde histórico e fechou aos 206 mil pontos na segunda-feira (5), impulsionado pela reação dos mercados ao resultado do primeiro turno das eleições.
O Ibovespa renovou seu recorde histórico e fechou aos 206 mil pontos na segunda-feira (5), impulsionado pela forte reação dos mercados ao resultado do primeiro turno das eleições no Brasil.
A movimentação expressiva dos ativos financeiros reflete uma mudança nas expectativas em relação ao cenário político e econômico do país, segundo análises de mercado. Rita Mundim, analista, avaliou que o movimento não se trata de especulação, mas de uma reprecificação dos ativos.
“Olha, Estevam, é reprecificação. Resta saber se essa reprecificação vai continuar”, afirmou a analista. Segundo ela, para que o movimento se sustente, é necessário que o favoritismo de Flávio Bolsonaro seja mantido nas pesquisas de opinião. Uma projeção da Eurásia elevou para 70% a chance de eleição do candidato.
Entre os indicadores que mais se destacaram no pregão, Rita Mundim apontou a valorização do real frente ao dólar, que chegou a se aproximar de 5%, e a forte queda dos juros futuros. “Os juros futuros estão sendo reprecificados de forma muito agressiva”, disse.
Segundo ela, as projeções para 2026 recuaram 0,75 ponto percentual para o fim do ano. Para 2027, a projeção caiu para 6%, enquanto para 2028 chegou a 8%. “Quanto mais longa é a curva, maior é a projeção de queda nos juros”, destacou.
Rita mencionou um relatório do JP Morgan que recomendou a compra de ativos brasileiros. De acordo com ela, o banco avalia que as posições no Brasil devem ficar acima da média, com potencial de valorização de 20% no principal índice de ações brasileiras, o MSCI. “É muita coisa”, comentou a analista, ressaltando a dimensão do movimento observado nos mercados.
Questionada sobre o impacto da economia na escolha dos eleitores no primeiro turno, Rita Mundim avaliou que medidas como o reajuste do Bolsa Família ainda não chegaram ao bolso do trabalhador. Além disso, segundo ela, o efeito da isenção do Imposto de Renda anunciada no início do ano foi anulado pela inflação e pelas taxas de juros.
“A taxa de juros transformou a vida das famílias no inferno, no inferno da inadimplência, no inferno do endividamento”, afirmou. A analista citou dados que mostram a pressão financeira sobre famílias e empresas: mais de 9 milhões de CNPJs endividados, 84,8% das famílias de baixa renda com dívidas e 82% das famílias brasileiras comprometendo mais de 80% da renda com obrigações financeiras.



