Institutos de pesquisa erram previsão sobre eleição e abalam confiança do mercado

Trackings privados apontavam vantagem maior de Flávio Bolsonaro que pesquisas públicas, deixando investidores sem 'ancoragem'

Institutos de pesquisa erram previsão sobre eleição e abalam confiança do mercado
Painel do Ibovespa. Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images — Foto: Painel do Ibovespa  • Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Institutos de pesquisa erraram previsões sobre eleição de domingo. Trackings privados indicavam vantagem maior de Flávio Bolsonaro que dados públicos.

Os institutos de pesquisa eleitoral erraram significativamente as previsões sobre o resultado do pleito realizado no domingo (25). A vitória de Lula surpreendeu gestores, investidores e analistas, que desconsideravam completamente a possibilidade de derrota de Flávio Bolsonaro (PL) até a sexta-feira (23) anterior à eleição.

Os trackings privados, aos quais têm acesso grandes investidores, apontavam uma vantagem ainda maior de Flávio do que aquela indicada pelas pesquisas públicas. Algumas casas chegaram a indicar em seus relatórios que a probabilidade de vitória de Flávio havia diminuído, mas ninguém antecipou a virada.

Segundo fontes ouvidas pelo CNN Money, os contratos de pesquisa podem superar os R$ 500 mil e incluem trackings diários e análises qualitativas sobre tendências da disputa. Informações sobre tendências eleitorais são valiosas para o mercado financeiro, e esse segmento cresceu muito nos últimos anos impulsionado por demanda crescente.

Nas últimas eleições, ganhou força uma dinâmica de compartilhamento dessas pesquisas entre corretoras e seus clientes — gestoras, family offices e outros investidores — como forma de atrair e fidelizar esse público. Algumas corretoras organizam encontros reservados nos quais pequenos grupos de clientes assistem a palestras de analistas políticos e fazem perguntas sobre cenários políticos.

Grandes bancos também são clientes dessa indústria de pesquisa. No caso desses players de maior tamanho, os contratos preveem dados exclusivos que não podem ser compartilhados, ou seja, números que ajudam a nortear decisões da gestão da instituição. Sondagens sobre efeitos de eventos específicos também podem ser encomendadas, a depender do plano contratado.

“O sentimento no mercado foi de ter ficado sem ancoragem”, diz Lucas Aragão, sócio da Arko Advice. As análises dos institutos não se limitavam à intenção de voto, com muitas casas fazendo leituras sobre comportamento dos ativos financeiros e economia em geral.

A reação dos mercados ao resultado das urnas indicou que os sinais emitidos pelos institutos foram bastante equivocados. Investidores dependem dessas informações para se posicionar diante de um cenário político que pode ter impacto direto sobre a economia e o comportamento dos ativos financeiros.

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