Índice recua 1,2% conforme juros altos e endividamento sufocam famílias paulistanas apesar do emprego

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias registrou queda de 1,2% em agosto, chegando a 110,9 pontos, o maior recuo desde abril.
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) das famílias paulistanas registrou queda de 1,2% em agosto em relação a julho, atingindo 110,9 pontos, segundo apuração da FecomercioSP. Trata-se do quinto recuo mensal consecutivo e do mais intenso desde o início do ciclo de queda em abril.
Embora o índice permaneça no campo otimista (acima de 100 pontos) e acumule alta de 4,4% ante agosto de 2025, o cenário revela uma conjuntura doméstica sufocada pelos juros elevados, pelo custo do crédito e pelo endividamento.
Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, afirmou que a diferença entre a desaceleração mensal e a melhora no comparativo interanual reflete defasagem entre o ciclo de cortes da taxa Selic e o alívio efetivo no crédito.
Segundo Carvalho, apesar de a taxa Selic estar recuando, o efeito dessas quedas demora a ser sentido no bolso da população, que ainda enfrenta restrições severas de renda e sofre com crédito mais caro, alto nível de endividamento e inflação que corrói o poder de compra.
“A pressão no orçamento é tão aguda que consumidores de faixas de renda mais baixas estão recorrendo ao parcelamento no cartão de crédito para a compra de itens essenciais, como alimentos em supermercados.”
Atualmente, mais de 70% das famílias da cidade de São Paulo possuem algum tipo de dívida, conforme dados da pesquisa.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou queda de 0,6% em agosto, chegando a 120,8 pontos. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, a confiança recuou 1,2%, demonstrando exposição maior aos custos básicos. Em contrapartida, as famílias com renda superior a dez salários mínimos apresentaram avanço de 0,6% no indicador.
Carvalho explicou que os consumidores de alta renda possuem maior capacidade de planejamento do orçamento e conseguem acessar o mercado de crédito com mais facilidade, sofrendo impacto menor das oscilações econômicas.





