Kayath enfrenta resistência bolsonarista para assumir Ministério da Fazenda

Ex-presidente do Credit Suisse é apoiado pelo mercado financeiro, mas declarações de 2022 alimentam desconforto na base

Kayath enfrenta resistência bolsonarista para assumir Ministério da Fazenda
Decisões econômicas, inflação e mercado afetam economia brasileira. Foto: Pixabay / Luis Wilker

Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, é cotado para Fazenda em eventual governo Flávio Bolsonaro, mas enfrenta resistência interna

Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atual sócio da gestora QMS Capital, é cotado para assumir o Ministério da Fazenda caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença as eleições presidenciais. Segundo a Gazeta do Povo, o nome do executivo enfrenta resistência entre a base bolsonarista, apesar do apoio de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato.

A desconfiança tem origem em declarações públicas feitas por Kayath em 2022, quando ele afirmou ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em janeiro daquele ano, em entrevista ao jornal Valor Econômico, o executivo participou de encontros com empresários em apoio à candidatura petista.

“O problema é fiscal e, nesse ponto, Bolsonaro oferece muito mais riscos do que Lula”, afirmou Kayath na época, citando o ajuste fiscal de 2003 como exemplo de responsabilidade. Sobre Jair Bolsonaro, disse: “Ele não é de direita, é maluco”.

O mercado financeiro aposta no nome do ex-banqueiro para o cargo. Kayath defende um programa econômico claro: o Brasil não conseguirá equilibrar as contas públicas apenas cortando gastos não obrigatórios. Para ele, é necessário enfrentar as despesas obrigatórias do governo.

A proposta surge em um momento em que o déficit nominal do setor público chegou a cerca de 9,5% do PIB em 12 meses até agosto. A inflação está em 4,58% ao ano, acima do teto da meta de 3%. Para controlar a alta de preços, o Banco Central mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano.

Em entrevista à Bloomberg, Kayath afirmou que a compra de ativos brasileiros após o primeiro turno reflete uma mudança nas expectativas dos investidores. Segundo ele, a recuperação definitiva da confiança depende de reformas fiscais rápidas.

Em julho de 2021, ao avaliar a gestão do então ministro Paulo Guedes, Kayath disse ao Valor Econômico que “a Faria Lima gosta de se iludir”. Ele afirmou que Guedes criou uma percepção positiva de curto prazo, mas que a realidade chegou depois.

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