CEO do SBCOP diz que financiamento já não é o principal entrave e que setor privado precisa fazer negócios com tecnologias ambientais

Segundo Ricardo Mussa, CEO do Sustainable Business COP, a falta de financiamento deixou de ser o principal entrave para projetos de transição energética
O maior obstáculo para o desenvolvimento de projetos sustentáveis e de transição energética deixou de ser a falta de financiamento. Segundo Ricardo Mussa, CEO do Sustainable Business COP (SBCOP), o entrave atual está na elaboração dos contratos e requer esforço do setor privado para “fazer a roda girar”.
Mussa concedeu a avaliação em entrevista ao Capital Insight, parceria entre Broadcast e CNN Money. O SBCOP é uma iniciativa empresarial global criada no Brasil para a COP30, realizada em 2025 em Belém, no Pará, e possui reconhecimento da ONU. Atualmente, a entidade reúne cerca de 57 milhões de companhias através de confederações empresariais de 123 países.
O CEO reconheceu que fazer negócios envolvendo novas tecnologias ambientais significa assumir mais riscos que outros segmentos conhecidos, mas defende esforços nesse sentido. Na sua avaliação, o Brasil possui muitas oportunidades de ganhos na área de sustentabilidade.
“O Brasil é o País solução, não o país problema”, afirmou Mussa.
Com o SBCOP, a ambição de Mussa é ajudar o setor privado a implementar projetos sustentáveis ao redor do mundo. Ele enfatizou a necessidade de pragmatismo nas ações climáticas: “Precisamos de pragmatismo. Durante 30 anos, as COPs discutiram princípios e compromissos dos países em relação às emissões e ao controle do clima. Agora, precisamos mostrar e colocar em prática as soluções que já foram encontradas”.
Na COP30 no Brasil, o empresariado global apresentou exemplos de negócios e soluções bem-sucedidos que podem ser replicados em outras nações, conforme relatou Mussa. Este trabalho continuará e será acentuado na COP31, em novembro, na Turquia, onde está previsto o SBCOP reunir cerca de 300 CEOs de grandes empresas globais.
Na COP31, a entidade apresentará aos governos dos 197 países membros três recomendações de políticas públicas sustentáveis para cada um dos seis segmentos de atividades escolhidos como prioritários este ano, incluindo energia e agronegócios.
Mussa também afirmou que o mercado de carbono é uma peça-chave e o instrumento financeiro de mercado mais importante para o controle do clima. Porém, a falta de uma contabilidade única global para o carbono impede que esse instrumento conquiste a simpatia e confiança do mercado financeiro.



