Ministro da Fazenda afirma que programa de renegociação de dívidas não atrapalha trabalho do Banco Central e que política fiscal não pressiona juros
Ministro Dario Durigan afirma que o Novo Desenrola e a política fiscal não comprometem a política monetária para controle da inflação.
Novo Desenrola e política fiscal mantêm equilíbrio da política monetária
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em Brasília que o programa Novo Desenrola, que concederá descontos e condições para renegociação de dívidas das famílias, não comprometerá o trabalho do Banco Central (BC) na busca pelo controle da inflação. Segundo ele, a iniciativa, prevista para ocorrer nos próximos meses, visa facilitar o acesso dos brasileiros a linhas de crédito mais baratas, reduzindo o comprometimento de renda sem gerar pressões inflacionárias.
Durigan destacou que, apesar de o governo disponibilizar até R$ 15 bilhões em garantias para o programa, o montante liberado não terá impacto significativo sobre a política monetária. Ele ressaltou que outros fatores externos, especialmente a guerra internacional, são mais influentes nos atuais níveis de juros e inflação no país. A política fiscal, segundo o ministro, não é o principal elemento que pressiona a política monetária.
Características e lições da nova fase do Novo Desenrola
O Novo Desenrola é uma evolução da primeira fase do programa, que atuou entre 2023 e 2024 para sanar dívidas antigas resultantes das restrições da pandemia de Covid-19. Com o aumento recente da taxa de juros, que provocou retrocesso no endividamento, a nova etapa busca facilitar o acesso às renegociações e estabelecer regras para evitar apostas online por um ano, buscando maior responsabilidade financeira.
Durigan afirmou que o programa foi desenhado para não causar riscos sistêmicos ao sistema financeiro, destacando que existem mecanismos para lidar com eventuais dificuldades em bancos. O ministro também explicou que nem toda renda liberada com as renegociações será convertida em consumo, o que ajuda a conter possíveis pressões inflacionárias decorrentes do programa.
Política fiscal e a trajetória gradual de melhora nas contas públicas
O ministro ressaltou que o arcabouço fiscal implementado em 2023 tem promovido uma trajetória gradual de melhora nos resultados primários do país, contribuindo para a estabilidade econômica. Durigan enfatizou que o componente fiscal pesa pouco sobre a definição da política monetária atualmente, destacando que a guerra internacional representa maior risco para a economia brasileira.
Ele defendeu o arcabouço fiscal como uma regra permanente, ainda que permita ajustes graduais nos parâmetros de despesas e receitas. Entre as propostas para a contenção de gastos obrigatórios, Durigan sugeriu a retomada da medida que reduz repasses federais ao Distrito Federal, proposta anteriormente rejeitada pelo Congresso. O ministro afirmou que não há expectativa de novas medidas de revisão de gastos até as eleições de outubro.
Desafios políticos e continuidade da agenda econômica responsável
Após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado, Durigan revelou a manutenção do diálogo com lideranças do Congresso para manter a condução das pautas econômicas e evitar aumento de gastos sem compensação. Ele reconheceu que o episódio abalou politicamente as relações entre Executivo e Legislativo, mas confia na continuidade do compromisso com uma agenda econômica responsável.
Além disso, Durigan indicou que as indicações para as duas diretorias do Banco Central, vagas desde o início do ano, deverão ser prioridade daqui para frente, apesar de não ter discutido o tema diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após assumir o cargo.
Impactos da guerra no Irã e medidas emergenciais do governo
O ministro da Fazenda comentou que a guerra no Irã deverá impactar a economia brasileira além do prazo atual das medidas emergenciais, previstas para vencer em maio, como a redução de tributos sobre o diesel. Durigan afirmou que eventuais prorrogações seguirão prazos curtos, de até dois meses, e que o governo buscará converter eventuais ganhos de arrecadação com petróleo em redução de tributos para mitigar os efeitos do conflito.
Essas ações reforçam a estratégia do governo de manter equilíbrio fiscal e apoiar a política monetária em meio a desafios externos, preservando a estabilidade econômica para os próximos meses.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Washington Costa/MF





