Consumo residencial atingiu recorde de 181,8 kWh mensais em agosto, impulsionado pelo uso intenso de ar-condicionado

Consumo residencial de energia atingiu recorde em agosto com 181,8 kWh mensais. Previsão de El Niño muito forte pressiona demanda por climatização
O consumo residencial de energia elétrica no Brasil atingiu recorde de 181,8 kWh mensais em agosto, impulsionado principalmente pelo uso intenso de ar-condicionado durante o calor. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo residencial cresceu 6,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar da bandeira verde de outubro ter retirado cobranças adicionais, a pressão sobre as contas permanece.
No período de 12 meses encerrado em agosto, as residências consumiram 184,7 bilhões de quilowatts-hora, alta de 3,3% sobre os 12 meses anteriores, segundo a Resenha Mensal da EPE. O comércio avançou 9,4% e a indústria apenas 0,2% no mesmo período. Este é o maior consumo desde que a série começou em 2004.
O padrão de crescimento no setor residencial é estrutural. O consumo residencial passou de 23,3 bilhões de quilowatts-hora em 1980 para quase 180 bilhões em 2025. Em 2025, um ano mais ameno que 2024, o consumo cresceu 1,7%, enquanto o número de unidades consumidoras aumentou 2,2% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, indicando expansão do mercado.
O desafio para o sistema elétrico vai além do volume consumido. Aparelhos de ar-condicionado ligados simultaneamente podem pressionar transformadores e circuitos locais, inclusive no início da noite, quando a geração solar diminui. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanha a duração e frequência das interrupções.
O cenário tende a piorar no verão. A Agência Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros seis órgãos federais estimaram em 95% a chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A Organização Meteorológica Mundial projeta anomalia de 3,7 °C na temperatura da superfície do Pacífico equatorial, ante recorde anterior de 2,6 °C em 2015–2016. As temperaturas muito elevadas previstas para o Centro-Norte do Brasil tendem a ampliar o consumo de eletricidade para climatização, exigindo maior capacidade das redes de distribuição.



