Diferença está nas câmeras corporais. No caso anterior, em 2021, não havia registros e policiais foram inocentados

Cabo da PM foi investigado pela morte de Luiz Dionísio em 2021, quando não havia câmeras corporais e versão policial prevaleceu
O cabo Cauan Alencar Bastos da Polícia Militar de São Paulo, que foi filmado dizendo que mataria um eletricista autista antes de desembarcar de uma viatura e abrir fogo, já havia sido investigado pela morte de outro homem durante uma abordagem policial.
A diferença central entre os dois episódios reside na existência de câmeras corporais. No caso recente, Cauan e outro PM afirmaram à Polícia Civil que dispararam contra Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues porque ele teria se “insurgido” contra os militares, que agiram para impedir uma suposta agressão.
Imagens de câmera corporal, porém, registraram outra dinâmica. Ainda dentro da viatura, Cauan afirmou “peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro” e saiu do veículo disparando. Após atingir Igor, que morreu no Hospital de Taipas, o cabo pediu para que ele não morresse e, sozinho perto da viatura, chegou a rezar um Pai-Nosso.
Cinco anos antes, em fevereiro de 2021, Cauan matou Luiz Dionísio de Andrade Filho durante uma tentativa de abordagem no Jaraguá, zona norte de São Paulo. Naquela ocasião, Cauan afirmou que Luiz fugiu de moto, colocou a mão na cintura e representava uma ameaça iminente. Outro PM sustentou versão semelhante. Os policiais afirmaram terem encontrado um revólver calibre .32 com o homem morto.
A investigação do caso de 2021, diferentemente do caso do eletricista Igor, não contou com imagens da ocorrência. Os autos registram que não foram localizadas câmeras de monitoramento capazes de captar os fatos, tampouco testemunhas que tivessem presenciado a ação. Com isso, prevaleceu a versão dos policiais.
Sem elementos que desautorizassem a versão apresentada pelos PMs, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) concluiu que Cauan havia agido em legítima defesa. A Promotoria pediu o arquivamento do inquérito em dezembro de 2022. A Justiça acolheu a manifestação e encerrou o caso.



