Polícia Federal investiga desvio de R$ 420 mil em ONG evangélica do DF

Associação Beneficente Evangélica recebeu R$ 850 mil de verbas federais e teria repassado valores para papelaria ligada à família de pastor

Polícia Federal investiga desvio de R$ 420 mil em ONG evangélica do DF
Papelaria Bras Gel em Taguatinga Sul, onde teriam sido desviados recursos. Foto: Reprodução/Google Street View

Investigação da PF aponta que ONG evangélica desviou R$ 420 mil para papelaria de parente de pastor acusado de ser dono oculto da entidade

A Polícia Federal investiga a Associação Beneficente Evangélica (ABE) por suposto desvio de recursos públicos no Distrito Federal. Segundo a investigação, a ONG recebeu R$ 850 mil em verbas federais para ações de capacitação e projetos culturais e teria desviado cerca de R$ 420 mil para a papelaria Bras Gel, em Taguatinga Sul, sob contrato para “ensino de música”.

A empresa que embolsou o valor pertencia a Poliana Rodrigues Lopes Xavier, nora do pastor Manoel Pereira Xavier, 53, acusado de ser o dono oculto da entidade. Seu filho, Jesimiel Pereira Xavier, também integrou a estrutura como ex-funcionário da ONG.

A Associação Beneficente Evangélica foi fundada pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus (ADEB) de Brasília em 1984 e possui 18 filiais no Distrito Federal. Formalmente, a associação era liderada pelo pastor Willthimberg Bittencourt da Silva, 51 anos, segundo os investigadores. De acordo com a PF, o presidente exercia papel de “laranja” apenas para assinar documentos e cumprir requisitos legais.

Os R$ 850 mil foram repassados por meio de dois convênios realizados com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 2024. O Ministério Público do DF (MPDFT) e o Tribunal de Contas do DF (TCDF) apontaram irregularidades na prestação de contas nos anos de 2024 e 2025.

A investigação iniciou-se em maio de 2025, após denúncia anônima, e revelou um esquema baseado em diretores “laranjas”, empresas de fachada e contratação em massa de parentes dos envolvidos. O Ministério da Cultura, o Ministério do Trabalho e Emprego e a Secretaria de Educação do DF estão apurando os contratos firmados, mas ainda não foram acionados formalmente pela PF para prestar esclarecimentos.

A ONG foi contratada pela Secretaria de Educação do DF para gerir creches públicas entre 2012 e 2025 por um valor de R$ 117 milhões e é investigada por servir de fachada para esquema de desvio de verbas públicas.

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