Presidente da Stellantis admite erro nas previsões sobre eletrificação do mercado

Herlander Zola reconheceu que indústria não calculou corretamente a velocidade da transformação e o avanço das fabricantes chinesas

Presidente da Stellantis admite erro nas previsões sobre eletrificação do mercado
Herlander Zola, presidente da Stellantis da América do Sul. Foto: Divulgação/Stellantis — Foto: Herlander Zola, presidente da Stellantis da América do Sul  • Divulgação/Stellantis

O presidente da Stellantis reconheceu falha nas previsões sobre velocidade da transformação do mercado automotivo e apontou parcerias chinesas como solução.

O presidente da Stellantis, Herlander Zola, reconheceu na tarde de segunda-feira (5), em São Paulo, a falha nas previsões da indústria automobilística sobre a velocidade da transformação do mercado automotivo.

Segundo o executivo, o setor sabia que o futuro passaria pela eletrificação. O que não calculou corretamente foi a velocidade dessa mudança e a capacidade das fabricantes chinesas de conquistar o consumidor.

“Porque o caminho seria eletrificado, todo mundo sabia”, afirmou Zola ao discutir a transformação do segmento e os desafios das montadoras tradicionais. Para ele, o equívoco esteve na previsão do ritmo de avanço das novas tecnologias.

Para concorrer com mais competitividade, a Stellantis está equilibrando margens e volumes, considerando cada produto e a ocupação de suas fábricas. Em determinadas situações, a companhia admite trabalhar com margens menores para preservar vendas. Em outras, essa conta pode não compensar.

Zola reconheceu que vantagens tecnológicas conquistadas pelo grupo perderam força com a evolução da concorrência. Citou os motores turbo e, depois, os sistemas híbridos leves como soluções que trouxeram diferenciação durante um período, mas acabaram alcançadas ou superadas por outras ofertas.

“Foi uma vantagem durante um período. Hoje já não é mais”, afirmou sobre os híbridos leves. A resposta, segundo ele, passa por ampliar o acesso a tecnologias de eletrificação que ainda faltam em algumas marcas da companhia.

Os parceiros chineses ocupam posição estratégica nesse caminho. Zola apontou a Leapmotor, que vai lançar o B03X em novembro, como uma das alavancas para ampliar a competitividade, tanto com produtos da própria marca quanto com tecnologias que possam ser utilizadas por outras marcas do grupo.

Há um ano no comando da Stellantis, Zola também revelou que as conversas envolvendo a Dongfeng vêm amadurecendo e podem resultar em uma atuação mais ampla na região. Trata-se de uma possibilidade em discussão, sem anúncio de novos produtos ou marcas para o Brasil no momento. “Eu posso me associar a mais uma, a mais duas ou a mais dez”, afirmou ao explicar que novas associações são possibilidades em estudo.

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